Tuesday, February 26, 2008


#65 – Contra quem lutamos
* Por Raphael Amorim

“Algumas coisas você só aprende tomando no cu!!!”

Por favor, peço desculpas pelo baixo calão, mas, era exatamente assim quem um amigo costumava falar quando se referia as coisas que ele fazia pelos outros, e os mesmo ou reclamavam ou não davam o devido valor ao seu feito.

Desde meus dez para onze anos quando ouvi Ramones pela primeira vez, decidi que era aquilo que eu queria, mas nenhum lugar do disco dizia o que seria necessário pra se fazer aquilo, e olha que parecia tão fácil, 4 acordes, 4 instrumentos e 4 amigos, hum, aparentemente fácil, errado, muito mais difícil do que parece.

O fato é que além de montar uma banda você precisa por ela em prática e isso é o que gera as mais loucas e mirabolantes histórias, ainda mais em lugares pequenos, onde as bandas não têm onde tocar e muitas vezes não tem pra quem tocar, nesse embalo é que essas com pensamentos revolucionários, quase um Che (Guevara), decidem que o lance é a luta armada, ou melhor, empunhar as guitarras (baixos, teclados, microfones e outros) e ir a luta por um espaço mais alternativo e democrático.

Então a idéia está semeada, agora só falta arrecadar apoios, selecionar as bandas e montar uma equipe de interessados, que em alguns lugares demoram a aparecer, quando aparecem, passado essa primeira fase o lance agora é organizar um evento e começar a por quente pra se incluir no cenário local, quiçá nacional, o que não é tão difícil hoje, graças à internet.

Ok, tudo planejado, poucos apoios, já que roqueiro é tudo doido e não é consumidor, não compra, não trabalha, alguns coletivos tem conseguido mudar a maneira como o comércio vê a classe, mesmo com poucos apoios faz-se o evento já que a bilheteria vai ajudar a cobrir os custos, mas espere! Não ligue agora! Nenhuma das sete bandas selecionadas e nem as cinco não selecionadas pro evento são filiadas a Ordem dos Músicos Templários do Tibet, então se for cobrada a entrada o evento será embargado, aparelhagem apreendida, músicos repreendidos e espancados em praça pública, pra mostrar que tem que se andar na linha se não o bicho papão vem e CRÉÉÉÉÉÉUU (na velocidade 5).

Certo, não é bem assim, mas a primeira idéia que se tem é a que será essa, ou os porões da ditadura, então não se pode mais contar com a bilheteria, o que resta e aqueles 30 reais, 15 reais que sobrou do pagode de cada um pra ajudar, então aquele som power já não será mais double soundround, os cartazes terão que ser xerocados, e o evento aberto, certo dos males o menor.

Então, aquela banda que parecia ser a que se destacaria, acaba dois dias antes do evento ou no dia se recusa a tocar devido a pouca qualidade do som, mesmo a banda tendo se apresentado somente uma vez, corre-corre, chama-se outra, ai uma outra que não foi convidada, e por mais que você tente dizer, que foi feito um processo rigoroso de seleção, que foi buscada a diversidade e não a quantidade, e que sete bandas já é muito, e não vai ter como tal banda tocar dessa vez, mas que fique tranqüilo, que no próximo ela estará presente, não vai adiantar nada, afinal sua banda vai tocar, e pouco importa se é você que vai ter tirar grana do seu mísero e suado salário pra resgatar aquela promissória que você assinou pro cara do som, ou se é você quem vai ter ir no fórum explicar por que uma menina que você nunca viu na vida, estava caindo de bêbada e que você só viu na hora que o juizado apareceu, o lance é que a sua banda não é melhor que a dele, e o justo seria a dele participar, e não a sua, você relutante tentar achar motivos pra explicar, mas acaba não dando idéia, e essa figura que deveria dizer “Tudo bem !! No próximo a gente bota pra quebrar!! Cês tão precisando de ajuda ou algo assim??”, mas não nunca dizem.

O evento acontece, cheio de imprevistos, faltando mais coisas do que sobrando, muitos falam mal, outros falam bem, mas estavam todos lá pulando, cantando, suando e esperando o outro dia pra dizer que foi uma “merda”, mas você se acostuma, mesmo pensando “eu nunca mais faço isso de novo, esse povo que se foda!”, e dois meses depois você está lá de novo discutindo com o guitarrista de tal banda por eles não vão tocar dessa vez, e a outra banda vai...

... e é como eu sempre digo , eu faço o que faço por que gosto, por que nada paga a galera cantando e pulando enquanto uma banda boa (de verdade) está tocando, mesmo com as adversidades o rock sempre vai ser assim, pelo menos fora dos grandes eixos e é daí que os talentos emergem, não só em bandas, mas em organização, companheirismos e respeito.

Raphael Amorim é guitarrista e vocalista da banda Di Marco e um dos agentes do Interior Alternativo.

*Dedicado aos camaradas dos coletivos de RO, Beradeiros e Vilhena Rock

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A OMB É LEGAL?
COMUNICADO DA OMB

Vilhena, 26 de fevereiro de 2008.

Comunicamos que nesta sexta feira 29/02/2008, a partir das 19:30 horas na sede da O.M.B. localizada na Avenida Capitão Castro, n° 3310 – Centro, será realizada uma reunião com os músicos que tenham interesse em regularizar a sua situação.

Nesta reunião serão apresentadas as propostas da O.M.B. e os esclarecimentos das dúvidas, além da ampliação do parcelamento para que se possa tirar a carteira.

Sem mais,

Atenciosamente.

Ronis Salustiano da Silva
Delegado Regional
OMB 558/RO


Este comunicado foi recebido hoje pela manhã na Prefeitura de Vilhena e o convite é para todos os músicos locais que tiverem interesse em tirar suas dúvidas, questionar seus direitos e debater sobre a OMB em Vilhena.

Não fomos informados sobre a presença do presidente do conselho em Rondônia. De qualquer forma é de essencial importância a participação de todos os músicos que forem contra, a favor e quem tem dúvidas sobre a cobrança da carteira da ordem dos músicos em Vilhena. O debate saudável é a melhor solução.

Coletivo Vilhena Rock

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LITERATURA
LEI DO LIVRO: CADÊ O LEITOR?
* Por Geraldo Maia
Podemos afirmar com uma grande margem de acerto que a indústria editorial no Brasil (e na Bahia) vai muito bem, obrigado. E não é para menos. Afinal, no ano de 2003, foi promulgada a Lei 10.573, a charmosa Lei do Livro, que acabou com os impostos relativos à produção do livro no país a fim de baratear o seu custo e de criar um Fundo de Incentivo à Leitura através de 1% do faturamento das editoras. Claro que a idéia, aparentemente, é ótima, pois o menor preço do livro acarretaria um maior acesso ao mesmo com um conseqüente número bem maior de consumidores.
Tudo muito belo. Mas na prática tal não acontece. Nem o preço do livro baixou, nem o acesso ao livro aumentou, nem as editoras contribuem para o tal Fundo de Incentivo à Leitura. E o que acontece mesmo? Bem, o mercado do livro no Brasil fatura anualmente cerca de três bilhões de dólares, mas só o Ministério da Educação compra algo em torno de 70% do que é vendido, quase tudo livro didático (e para-didático), quase nada de literatura e nada, nada mesmo de poesia. E se for literatura e poesia negra e/ou indígena aí o bicho pega, nadíssimo de nada.
Resultado: milhares de livros são distribuídos nas escolas, mas pouquíssimos alunos sabem ler ou interpretar o que leram. O que poderia mudar essa realidade, a presença da literatura e da poesia em sala de aula, não existe. Nem contadores de histórias, nem cordelistas, rappers, emboladores, fazem parte da cabeça dos professores, do conteúdo das jornadas pedagógicas, do currículo das escolas. Ano após ano nada se discute para por em prática a formação de leitores através mesmo de uma simples leitura em sala de aula como atividade obrigatória em todas as disciplinas.
Apesar de que a cada dia serem descobertas novas experiências de sucesso com o uso da leitura e releitura em sala de aula no tocante à diminuição da repetência e da evasão em matérias como matemática e química onde a leitura é sempre vista como algo obrigatório, difícil, chato e distante.
Por tudo isso, no Brasil, nenhum escritor consegue viver do seu trabalho, quase sempre obrigado a buscar a sobrevivência em outras atividades como tradução, palestras, oficinas, cursos, etc. A Lei do Livro foi aprovada, mas as editoras nada fazem para apoiar bibliotecas e programas de leitura quando nada com a doação de títulos que possibilitem a atualização de acervos e a dinamização do espaço para além de um mero depósito de livros velhos, mas como autêntica usina de apoio à criação de múltiplos saberes, fazeres e leituras do mundo.
E muito menos as editoras trabalham em contrapartida aos benefícios da Lei, no sentido de fazer com que os escritores e poetas possam pelo menos sonhar em viver do que fazem. Nem no de capacitar professores para que possam levar a literatura e a poesia para a sala e aula como prática principal para a formação de novos leitores com capacidade de pensar criticamente o conteúdo dos livros. Claro que isso é perigoso para a manutenção do estabelecido. No mínimo os editores devem ficar com medo de que a literatura e a poesia venham atrapalhar as polpudas vendas dos valiosos e insípidos "didáticos" e de alguns "para-didáticos".
e é burrice ou má fé ainda não se pode afirmar, mas afinal, para que serve a Lei do Livro? Para estimular a compreensão da leitura ou a usura dos editores? Onde anda o Fundo de Incentivo à Leitura, no fundo do poço da ganância ou na inoperância da Lei? O que sei é que 95,5% dos alunos na quinta série do ensino fundamental não consegue compreender um pouco do que leu. No ensino médio, 67% dos alunos não compreende os textos do seu nível se escolaridade. E 57% dos alunos em onze anos de aprendizado não consegue compreender nada do que lê ao sair das escolas. No nível superior não é muito diferente, pouquíssimos entendem o que lêem.
Podemos concluir então que talvez seja oportuno criarmos uma Lei da Leitura (mais uma) já que até agora a do livro beneficiou apenas a ganância e a usura das editoras. Porque produzir livros está provado que sabemos faze-lo e bem. E mal ou bem velhos e novos escritores e poetas quixotescamente garantem a sobrevivência da literatura e da poesia. Mas a formação de leitores ainda não passa pela cabeça da maioria das pessoas. Quase todos acham que basta alfabetizar e comprar livros que todo mundo vai correr para as estantes e começar a leitura. Não percebem que formar leitores é um processo lento com início antes mesmo da fecundação (fase individual), durante o período embrionário (fase conjugal) e até por volta dos dez anos de idade (fase familiar). Em qualquer tempo é responsabilidade preponderante dos pais coadjuvados pelo estado (fase regional) na forma de professores, mestres, agentes de leitura, círculos de leitura, caravanas de leitura, caminhos de leitura a serem percorridos na fase nacional com livros, bibliotecas, escritores, contadores de histórias, arte-educadores, brincantes, facilitadores e mestres da leitura oral, escrita, visual, corporal, cênica e tecnológica em redes de rodas eletrônicas de leitura bandalargadas (fase internacional/cósmica).

Geraldo Maia é poeta na Praça (BA), Escritor nas Ruas e Doutor Honoris Causa no breu das Coisas

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AGENDA
Confirmadas as datas do Festival Fora do Eixo

Será realizado entre os dias 18 e 25 de abril a segunda edição do Festival Fora do Eixo, que em 2007 levou a sete casas de shows paulistanas dezenove bandas dos mais diversos estados FE do país. Conforme Pablo Capilé, do Cubo Planejamento, detalhes sobre o projeto estão sendo debatidos pelos produtores do circuito, que definirão o formato da produção deste ano. O bacana é que o festival acontecerá uma semana antes da Virada Cultural em SP, o que dias intensos de mostra da produção fonográfica independente atual. As bandas interessadas em fazer inscrições devem enviar três mp3’s, mais fotos e release para o e-mail festivalforadoeixo@gmail.com.

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AGENDA 2
Virada Cultural promove parceria com a ABRAFIN

A Virada Cultural, já tradicional em São Paulo, contará com um palco coordenado pela Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN). O evento será realizado nos dias 26 e 27 de abril, com 24 horas ininterruptas de ações culturais espalhadas pela grande São Paulo.

As atrações foram selecionadas pelos associados e entre os nomes que irão passar no palco da Abrafin estão MQN (GO), Boddah Diciro (TO), Mechanics (GO), Mundo Livre S/A (PE), Fóssil (CE) e Coveiros (RO).

Thursday, February 21, 2008

#64 - Informação nunca é demais

A OMB É LEGAL?

Debate sobre a OMB em Vilhena
* Por João Regert

Foi realizado ontem (20/02/2008) na Associação dos Moradores do Setor 6 um debate sobre a atuação da OMB em Vilhena e consequentemente no estado de Rondônia. O debate, marcado para as 18 h, teve início às 18:42 quando Valdir Alberto, músico e apresentador de TV, expôs a sua preocupação diante às exigências da OMB, que, segundo ele e várias pessoas presentes na reunião, não condiz com a realidade da qual a maioria dos músicos vilhenenses vivem.

O valor para confecção da carteira, primeira anuidade e taxas para burocracia, que no total é R$ 220,00, que é inviável para muitos músicos da cidade, além de não se ver nenhuma vantagem clara ao adquirir a carteira, a não ser o fato que se pode tocar sem a interferência indesejada de um fiscal.

Na reunião estava presente o Sr. Roberlei, advogado, que ali estava para prestar esclarecimentos jurídicos aos músicos presentes. Foram apresentadas à ele liminares que foram concedidas em outros estados favorecendo à músicos que se põe contra às exigências, às vezes arbitrárias, da OMB. Ele se dispôs a estudar possíveis recursos a favor dos músicos que se sentirem cerceados pela atuação da instituição no município de Vilhena.

O maestro Ronis Salustiano, delegado da OMB em Vilhena também se fez presente na reunião, o que ajudou a elucidar várias dúvidas dos músicos presentes. Ele explicou que a OMB quer regularizar a profissão de músico em nossa região, promete vantagens aos músicos como convênios como comércio entre outros fatores. Também falou que é uma forma de “proteger” os músicos locais contra músicos “irregulares de fora que tomam o lugar de músicos regularizados no município”.

A reunião foi bastante produtiva, já que muitos músicos da cidade não conheciam o delegado regional (e a recíproca é verdadeira) e puderam saber mais sobre a atuação da OMB não só no estado como no país todo. A maior crítica ficou clara que é a cobrança de um valor que não condiz com a realidade financeira de vários músicos do município e também da não clareza de alguns aspectos positivos que a OMB poderia apresentar. Fora o fato de que o delegado citou sobre a questão da aposentadoria como músico, que só seria possível para quem dispõe da carteira da ordem, algo que foi corrigido por um senhor que é aposentado como músico, mas não precisou apresentar a carteira da ordem para tal. Bastou cumprir com suas obrigações previdenciárias. Esse fator deixou claro que ainda existem pontos obscuros que deixam fazem muitos músicos fazerem a carteira de músicos mais por receio do que por livre e espontânea vontade.

No fim do debate o maestro Ronis prometeu a visita do presidente do conselho regional da Ordem para semana que vem (a que era prometida para essa semana) para elucidar os pontos que ficaram obscuros ainda nesta reunião, que com certeza foi a primeira de muitas outras de interesse para os músicos locais.

Como citado o saldo do debate foi positivo, com a abertura de diálogo aberta pelo representante regional da OMB, Sr. Ronis, e também com atitudes positivas como a de Valdir Alberto, que é a de reunir artistas para fazer valer seus direitos e esclarecer dúvidas que afetam a todos os interessados. E tudo acontecendo em um clima cordial e informativo, como todo bom debate deve ser.

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CIRCUITO FORA DO EIXO

O novo rock do Brasil
* Por Fernando Rosa, editor do site Senhor F

Foi na segunda metade dos anos 90 que toda uma geração de músicos brasileiros começou a perceber que havia algo de podre no reino da indústria fonográfica. A expansão do acesso à internet e às novas tecnologias possibilitou uma troca de informações sobre a música produzida fora do mainstream como nunca antes havia acontecido. A produção independente começou a circular a uma velocidade crescente e logo foi possível constatar que o que havia de melhor, mais criativo e genuíno na música jovem feita no Brasil estava à margem das grandes gravadoras e estações comerciais de rádio.

Por um breve momento, acreditou-se que a circulação da música independente seria uma chance de renovação do mercado, com a aposta das gravadoras em novos nomes dessa emergente cena. Essa crença durou pouco, felizmente. Rapidamente, essa mesma geração de artistas descobriu que havia um caminho próprio para trilhar, longe de uma visão desgastada da indústria, e assumiu de vez sua condição de independente. Hoje, apenas uma década depois do início dessa revolução musical, existe no Brasil um grande movimento de bandas, produtores, jornalistas e pessoas interessadas em nova e boa música, fazendo a cultura da música jovem brasileira avançar.

As novas tecnologias possibilitaram não só a divulgação da música, mas também o lançamento de discos cada vez mais bem produzidos, dando qualidade técnica à criatividade dos músicos. Com isso, selos surgiram e começaram a dar corpo a um mercado paralelo. Ao mesmo tempo, produtores de festivais independentes passaram a realizar eventos por todo o país, o que levou à criação, em 2006, da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin). Hoje, os festivais servem de plataforma para centenas de bandas, contribuindo para a divulgação da nova música e formação de público.

Esta coletânea inédita que a Brazuca disponibiliza para download livre (http://www.magazinebrazuca.blogspot.com/) é uma prova da qualidade e diversidade da música produzida hoje no cenário independente brasileiro. Nela estão artistas e bandas dos mais diferentes estados do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Acre, passando pelo Mato Grosso e Goiás, entre outros. No som, um rock moderno, de variadas tonalidades, com uma poética sintonizada com os novos tempos do país e do mundo. Um cenário tão rico que pode render, certamente, muitas outras coletâneas, tão boas como essa, com seleção da Agência & Revista Senhor F – que acompanha esse processo desde o final dos anos noventa.

Texto publicado originalmente no blog Magazine Brazuca:
http://magazinebrazuca.blogspot.com/2008/02/cest-quoi-ce-nouveau-rock-brsilien.html

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CALOURADA

Quem vem com tudo não cansa! Calourada UNIR 2008
Publicado originalmente no blog do Projeto Beradeiros

Começo de ano letivo acadêmico é tempo de receber os novos alunos. A Universidade Federal de Rondônia, tradicionalmente, oferece uma festa á calourada na escadaria da Unir Centro, e a desse ano acontecerá nessa sexta-feira dia 23/02 a partir das 20:00h com a participação de artistas como Ronildo, Hey Hey Hey, Kilowatts, Banda Ruassaf e MHF- Hip- Hop. Compareça, prestigie, leve tintas e coisas pra cortar cabelo, afinal, os “Bixos” merecem atenção e cuidados especiais com o visual, você não acha?!

Tuesday, February 19, 2008

#63 - Bola rola, mundo gira...

Calouro é o Bixo!!!
Quarta feira no saguão principal da Universidade Federal de Rondônia – Campus de Vilhena será realizada uma atividade musical com os novos acadêmicos da UNIR local. Participação de músicos de bandas locais fazendo sessões acústicas. Não percam.
Voz, violão e calourada = diversão.
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FESTIVAL
Villa Rock

Vilhena conta agora com um novo festival de rock: o Villa Rock de Vilhena. Em fase de produção o evento será realizado em julho pela Escola de Música Villa Lobos. O objetivo do festival é divulgar os novos talentos da música local e regional e também abrir espaço para as bandas mais experientes. O evento será dividido em duas partes: na primeira metade tocarão as bandas de rock gospel e na segunda tocarão bandas de outros estilos.

Quem quiser saber mais informações é só procurar a Escola de Música Villa Lobos, na Av. Capitão Castro, próximo a Nutri Plantas.
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A OMB É LEGAL?
Músicos debatem exigência da OMB
* Publicado por Mário Quevedo

Os artistas se reúnem na próxima quarta-feira (20/02) - amanhã - para entrar com medida questionando cobranças de taxas da Ordem dos Músicos do Brasil. A iniciativa de reunir a categoria é de Valdir Alberto, músico e apresentador de TV. Ele afirma que em vários estados do país a classe já conseguiu derrubar a cobrança.

A reunião será realizada na sede da Associação de Moradores do Setor 06 - localizada próximo à Móveis Gazin da Av. Paraná -, com início previsto para 18 horas. Mais informações pelo telefone 9971-4319

Fonte: http://www.extraderondonia.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=356
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ARTISTA VILHENENSE
Tavinho do violão lança CD novo
* Publicado por Mário Quevedo

É o quarto trabalho deste artista vilhenense que reside há 21 anos na cidade. O disco conta só com músicas de autoria, mesclando gaúcho e sertanejo. Otávio Lucietto já tem produção para lançar seu 5° trabalho. “Mas preciso vender um pouco deste cd para levantar o dinheiro suficiente a fim de bancar a produção”, explica.

Tavinho do Violão vende seus discos pessoalmente, de porta em porta, além de se apresentar em bailões e em festas.

Fonte: http://www.extraderondonia.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=263
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ABRAFIN
Tem festival, mas também dúvidas

Saiu ontem e já mexe com a cabeça de milhares de jovens em busca de um sonho: ser revelado num palco de um grande evento. Anualmente, a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) publica o calendário com as datas de seus festivais afiliados. A lista de 2008 tem 30 mostras de pequeno ou médio porte e servem como trampolim de lançamento de novos artistas. Para poder integrar a Abrafin, é preciso ter não mais do que 30% da programação formada por bandas consideradas grandes, como O Rappa, Biquini Cavadão, Sepultura e Skank, por exemplo. Mas, ainda que exista uma profusão de grupos do novo pop rock, como o carioca Manacá, o brasiliense Móveis Coloniais de Acaju e o cuiabano Vanguart, em muitos casos são esses nomes já manjados que garantem bons públicos para os eventos. "As bandas que artisticamente nos interessam já vieram para o festival pelo menos duas vezes. Houve o pop rock dos anos 80 e o dos 90, com bandas que cresceram e ficaram conhecidas. A década de 00 já vai terminar. Se alguma coisa expressiva tivesse que acontecer já teria acontecido" - sentencia Paulo André, produtor do festival recifense Abril Pro Rock, que completa 16 edições neste ano e pretende confirmar as bandas de metal Helloween e Gamma Ray como principais atrações. "Para uma banda poder ser considerada um estouro nacional, ela tem que ser conhecida no Nordeste. Se não for, é apenas um sucesso regional".

Jomardo Jomas, idealizador do Mada, de Natal, completa agora 10 anos lidando com problema semelhante para confirmar atrações de apelo popular que possam garantir o sucesso de seu evento.

"Em relação ao mercado mainstream, houve uma quebra que foi geral. As bandas que eram grandes há alguns anos continuam sendo as mesmas. Desde 2001, não tivemos uma banda que chegasse ao topo. Se você quiser colocar uma grande atração para conseguir público fica sem opções" explica Jomas, que investiu em 2004 na banda nova-iorquina The Walkmen, sucesso de crítica, mas fracasso de público.

Pablo Capilé, que produz os festivais cuiabanos Calango e Grito Rock, não adota a mesma estratégia de seus companheiros de Abrafin.

Pablo Capilé, que produz os festivais cuiabanos Calango e Grito Rock, não adota a mesma estratégia de seus companheiros de Abrafin. "Em todas as edições nunca colocamos um headliner de uma grande gravadora. Na tentativa de consolidar o mercado médio, só investimos em bandas como Móveis Coloniais do Acaju, Vanguart e Forgotten Boys. A mídia especializada acaba cobrindo só as bandas mais conhecidas. As fórmulas do Mada e do Porão do Rock (festival de Brasília) não são aplicadas por mim" conta Capilé.

Pequeno ou médio? Depende...

Das 13 edições do Goiânia Noise, quatro foram realizadas com apoio da lei de incentivo à cultura do estado e três com a do município. A edição do ano passado foi feita com verba de edital da Petrobras. Mesmo sendo um festival independente, o evento depende de empresas para saber qual será seu tamanha a cada ano. "A gente quer se concentrar num formato. No festival tocam bandas de Goiás e grupos novíssimos que nunca vieram aqui (sobre o Bananada). Já o Goiânia Noise é composto por entre três e seis atrações internacionais de pequeno e médio porte e os grandes destaques do ano no Brasil" - diz Fabrício Nobre, produtor goiano de dois dos maiores festivais de seu estado.
Nobre enumera com facilidade as vantagens do calendário divulgado pela Abrafin: "Conseguimos fazer parcerias para dividir custos, fica mais fácil ter a imprensa em todos, não divide público. A grande dificuldade é conseguir patrocínio. Mesmo com as leis de incentivo fiscal e o apoio de empresas como Petrobras e Tim, ainda falta muito".

"Queremos ter mais facilidades com relação à Lei Rouanet e adequá-la para facilitar o circuito de festivais" antecipa Jomas.

"Do orçamento do Calango, 40% são de passagem aérea. Tudo ainda é muito distante e as passagens são caras" completa Capilé.

O carioca Rodrigo Lariú, que produz o Evidente (estréia em março), também se queixa da dificuldade de conseguir apoio, mas tem outra reclamação."É difícil fazer com que o público no Rio se interesse por bandas novas".

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/editorias/cultura/papel/2008/02/15/cultura20080215011.html

Monday, February 18, 2008

#62 - E o Norte gritou!

As edições do Grito Rock América do Sul foram bem calorosas e produtivas. Aqui vai um pouco do que foi feito e registrado na região:

GRITO ROCK 2008 Ji-Paraná

*Por Raphael Amorim

Sábado, dia 16 de fevereiro, foi realizado em Jipa a 2ª edição do GRITO ROCK, feito com baixo custo e muita força de vontade, aliás muito mais força de vontade.
O grito aconteceu no ginásio de esportes Gerivaldo José de Souza, o Gerivaldão, daquela conhecida forma de se fazer movimentações alternativas sem apoio, som que o bolso pode pagar, palco feito naraça pelas bandas, iluminação natural, e divulgação de internet, devido a falta de carteiras de OMB (humm) não foi cobrada entrada o que fez do evento aberto, ótimo também. O que mais nos supreendeu foi a participação da galera, alguns só indo embora quando o guardinha foi apagar a luzes, e a presença das cidades vizinhas como Presidente Médici, Ouro Preto, Cacoal, Ariquemes entre outras.
A noite começou com atraso (sempre) e foi aberta pela banda de Punk Rock Gospel EXTREMA UNÇÃO com um repertório curto porémmuito bem tocado. Em seguida veio a DI MARCO, mandado o bom e velho rock and roll alternativo, gerando uma interação bonita de se ver em Jipa entre o rock alternativo e a galera do metal (sou suspeito prafalar ahauhaua), então entrou em cena a tão falada HAWK ANGEL como seu Metal Gospel, botando galera pra pular, e mostrando um grandefeeling por parte dos integrantes, muito bom. A banda NEÓFYTOS entroucom um pouco de atraso por motivos de "fonte" ahaaha, mas quando estavam prontos mandaram aquele som sinistro que sempre mandam muitobem, os destaque ficou para o novo batera André, e claro o vocal Phabloque é um caso a parte, a noite foi encerrada pela banda de Cacoal NOVA ERA, que segurou a galera até os ultimos acordes, embora convocadaem ultima hora demostraram muita garra.
O saldo final foi positivo, a imprensa esteve presente registrando tudo, as bandas que não estiveram presentes fizeram muita falta, como o casoda ULTIMATO de Pvh que não veio por motivos de grana, até a bandaque não tocou por que o som não estava a sua altura (melhor não citar nomes)mas no fim tudo deu certo, bandas e público satisfeitos, injeção de ânimopra todos, o que significa cena fortalecida e que venham os próximos.
Obrigado a todos que estiveram presentes, ajudando, tocando, curtindo ou mesmo falando mal, muito obrigado mesmo...
* Raphael Amorim é vocalista/guitarrista da banda Di Marco


Grito Rock Boa Vista 2008


A independência do rock roraimense
* Por Victor Matheus

Há alguns anos atrás em Boa Vista, a cena rock era desanimadora. Pouquíssimas bandas acreditavam no seu talento e se esforçavam para divulgar suas músicas, enquanto quilos de bandinhas de proveta tocavam cover’s, faziam tributos e todo tipo de mercenarismo inimaginável acreditando que esse era o melhor caminho para divulgar e obter o reconhecimento do seu trabalho, ou seja, ridículo.

Hoje, a história é bem diferente, e o Grito do Rock Boa Vista, organizado pelo Coletivo TomaRRock, serviu para mostrar que agora a cena rock em Roraima mudou, e pra melhor, além de dar um singelo recado de “cala boca e pede pra sair” pra quem ainda pensa que só tocando covers de sucesso que se ganha o respeito e faz “ a galera agitar” de verdade.

Nos dias 08 e 09 de fevereiro, na Praça Velia Coutinho - Complexo Ayrton Senna, 14 bandas, sendo 11 de Roraima e 3 do Amazonas, provaram isso, tocando suas músicas com vigor e paixão, dando a cara à tapa e o que mais fosse preciso para defender suas composições, fazendo as mais de 3 mil pessoas que passaram pelos dois dias de festival se ligarem que aqui em Roraima tem gente fazendo rock de qualidade. Mais gratificante ainda é notar como algumas bandas já tem um público cativo que canta suas musicas, mesmo sendo pouca ou nunca divulgadas nas rádios locais. O Rock Roraimense tem potencial e há muito tem provado isso.

A estrutura do Grito Boa Vista assustou até os mais otimistas. A começar pelo fato do evento ser gratuito e ao ar livre, além de todo um apoio logístico, com stand dos patrocinadores, área de alimentação, banheiros, amplo estacionamento e ótima localização. A Mídia local (Jornal escrito, sites, rádios e canais de TV) fez uma cobertura eficiente, gravando reportagens, entrevistando bandas e registrando todos os momentos do Festival, antes, durante e após o evento, algo até então inédito para um evento de rock em Boa Vista. O som e a iluminação não deixaram a desejar, e nenhuma banda se prejudicou. A estrutura ainda contou com um camarim bem confortável e amplo para as bandas que aguardavam sua vez de tocar. Após o show , cada banda era conduzida para uma entrevista coletiva realizada pela organização do evento, e um release da apresentação era atualizado no site do coletivo (http://www.tomarrock.com/). Quem não pode ir, ficou sabendo quase em tempo real o que estava rolando. Todos esses pontos credenciaram o Grito do Rock Boa Vista a status de mega festival, e cito por merecimento. Certamente estará no próximo ano no mapa dos bons e grandes festivais independentes do norte.

A 1° noite do Grito começou com um atraso de duas horas, devido à montagem do som. A banda Yekuana subiu exatamente 21:00h, trazendo no seu som muita atitude (todos os integrantes estavam vestidos de garis, no melhor estilo das bandas nordestinas). Som com influências que vão do Hip Hop, passando pelo Reggae até o Metal extremo. Letras Politizadas. Destaque para a música “Mensaleiros Sangue Sugas” (com um refrão direto e sem enfeites – Mensaleiros Sangue Sugas, bandos de Filhos da Puta) e a participação de um grupo de hip hop do bairro 13 de setembro, mostrando a perfeita harmonia e integração entre as tribos. Em seguida, subiu a banda Hangar HC, hardcore direto feito pra quem curte skate. Letras fáceis, melodias simples. Destaque pro guitarrista Bento Filho, uma das promessas da guitarra Roraimense. Depois, com 12 anos de existência, a banda Garden subiu no palco do Grito pra mostrar como anos de estrada só contribuem para o entrosamento de uma banda que conta com músicos de qualidades técnicas indiscutíveis e admiradas. Tocaram musicas do seu CD de estréia, além de cover’s de artistas locais como a música Cruviana (Neuber Uchôa) e Locomotiva (Ben Charles). Destaque para Nequinho – Bateria, o coração pulsante da banda. O show ainda contou com a participação de Fabrício Cadela (Mr Jungle) nas guitarras. Na seqüência veio a Klethus, chamada de dinossauro do rock roraimense, afinal a banda está na área desde 1993. O som tem a pegada de new metal com pitadas de progressivo, letras reflexivas. A Klethus se prepara pra lançar o primeiro CD no mercado em breve. Destaque unânime pra guitarra/vocal Ellen Carmaine, mostrando que peso na guitarra não é coisa só de homem. A 5ª banda a subir no palco do Grito Boa Vista foi a Somero. Sem dúvida, uma das grandes promessas do rock boavistense para 2008. O som indie, carregado de romantisco e simplicidade, contagiou o público. O Carisma de Vinícius Tocantis – Vocal/guitarra, Paulinho – Baixo e Bizonho – Bateria convidou o público para embarcar no som intimista que a banda faz com competência e personalidade. Encerrando a 1ª noite do Grito do Rock Boa Vista, Several Bulldogs veio com seu Hard Rock até o osso e um EP lançado na praça. Destaque pra música “Bandida” a preferida do público local, e o virtuosismo da dupla Rubens – Rafael, que dispararam licks furiosos, deixando os rockers sedentos de hard rock poser de alma lavada.

A 2ª noite do Grito começou as 20:40h. A banda Bellini subiu no palco pra mostrar seu pop rock com influências de bandas da década de 80. As músicas vão do romantismo a questões sociais. Em seguida subiu a Veludo Branco, rock n’roll sem frescura e virtuosismo, com influências de Black Sabbath e ACDC. Destaque pra calça (?) de Mr Gonzo – Vocal/Guitarra, e a performance erótica no blues “Ela só quer me fazer delirar”. Na seqüência a novata ALT F4 protagonizou a grande surpresa da noite, empolgando o público, com direito a gritinhos de fãns e pulos no melhor estilo HC. Emocore moleque e grudento. Banda cheirando a leite e com futuro promissor. A 4ª banda do 2° dia foi a SHEEP. Já conhecida do público local, destilou seu grunge sincero em músicas como “Quarta”, e toda a melancolia na bela “Palavras ao Vento”, cantada pelo público. Destaque pro carismático Ramon Hiama – Vocal/guitarra, a personificação do ideal grunge, voz de barítono, e o brilho que só os rockstars têm. Alíases, do Amazonas, trouxe um rock n’roll inspirado no british rock, flertando com sons psicodélicos sem soar clichê. Destaque pro solo do batera Thiago “Abominável”, energia pura, sendo ovacionado pelo público. Em seguida veio a banda Mr Jungle, veterana da cena local e a mais expressiva banda do Estado com CD prestes a chegar no mercado, e um currículo que inclui participação nos principais festivais da Região Norte e Centro-Oeste. Com seu hard rock tocou fogo no público, que já canta grande parte de suas músicas. Destaque pra Jon Nelson – Bateria, o mais promissor batera local, e pra Diego Moita – Guitarra, com a competência poser de sempre quase destruindo sua stratocaster no fim do show. Sodabilly chegou do Amazonas, trazendo seu Rockabilly, costeletas e Topetes a lá Elvis Presley fazendo todos dançarem com seu repertório alternado de cover’s e suas músicas. Power trio competente e seguro. Destaque pra invasão do palco do público, que embalados ao som de “Johnny B. Goode”, transformou o palco da praça Velia Coutinho, no salão de festas do clássico “De volta para ao futuro”. Memorável. Pra fechar a noite e o Festival, as duas da manhã de domingo, Underflow, também do Amazonas, subiu no palco e detonou uma lapada atrás da outra sem piedade. Além de tocar suas músicas, com pegadas de hardcore (não aquele emo hypado que rola hoje nas MTV’s da vida) e punk, mandou ver no cover de “Itacoatiara” da extinta banda Platinados do Amazonas, além de Purple Haze botando os sobreviventes que ainda permaneciam no festival pra bater cabeça e ficar com pescoços doloridos.

As três da manhã de domingo terminava a 1° edição do Grito do Rock Boa Vista, com a clara sensação de alma lavada (da Organização, das bandas e do público) e com a certeza de dever cumprido. Foram mais de 12 horas de rock n’roll para todas as tribos. Afirmo com toda segurança que este foi o maior e mais bem estruturado festival de rock que Boa Vista já prestigiou, com bandas de qualidade indiscutível e profissionalismo, organização articulada, presença de público além das expectativas e cobertura total da mídia local.

Enfim a independência do Rock Roraimense, com orgulho e merecimento!

* Victor Matheus é radialista e guitarrista/vocal da banda Veludo Branco e um dos colaboradores do Coletivo Tomarrock.
Email: mrgonzo21@gmail.com

Monday, February 11, 2008

#61 - Comunicado
Grito Rock Vilhena RO 2008 CANCELADO
A edição vilhenense do Festival Grito Rock América do Sul foi definitivamente cancelada hoje após reunião da organização para deliberação sobre o evento em nossa cidade. O fator que pesou mais em nossa decisão é a incerteza que temos em relação à realização deste evento, da forma como está a expectativa dele hoje.
No percurso desde setembro do ano passado quando demos os primeiros passos em prol da realização da edição 2008 do evento enfrentamos alguns problemas, que afetam não só a cena local, mas várias em todo o país.
Sem alongar muito, gostaríamos de nos desculpar novamente pelos transtornos que causamos, principalmente com as bandas, mas optamos em não realizar o evento em vista que se o fizéssemos nas atuais condições os resultados poderiam não ser interessantes, tanto para as bandas quanto para o público.
Na última reunião do Coletivo em 2007, após a realização do Vilhena Rock Festival, decidimos que certos padrões deveriam ser adotados, principalmente no que tange à qualidade e infra-estrutura. Embora tenhamos nos esforçado não atingimos o nível de excelência que acreditamos que um festival como o Grito Rock possa ser realizado.
E fica aqui o compromisso do Coletivo de que em breve pretendemos corrigir esta falha.
Ass. João Carlos Regert Neto
Coletivo Vilhena Rock

ABRAFIN divulga calendário oficial
A ABRAFIN criada em 2005 surgiu com o propósito de reunir produtores em prol da música independente. Entre as diversas ações da Associação Brasileira de Festivais Independentes está a elaboração do calendário unificado de festivais, proporcionando assim possibilidades maiores de circulação de bandas, produtores e jornalistas.
O calendário de festivais para 2008 conta com a presença de sete novos festivais em relação à 2007, entre eles o Casarão (Porto Velho/RO), que será realizado no mês de maio. Siga a programação:

Humaitá Pra Peixe
Rio de Janeiro (RJ)
04 a 31 de janeiro
www.humaitaprapeixe.com.br

Grito Rock América do Sul 2008
50 cidades
26 janeiro a 08 de fevereiro (24 de fevereiro)
www.gritorock.com.br

Psycho Carnival 2008
Curitiba (PR)
01 a 04 de fevereiro

Recbeat
Recife (PE)
02 a 05 de fevereiro
www.recbeat.uol.com.br

VI Festival de Rock Feminino
Rio Claro (SP)
14 e 15 de março
www.rockfeminino.org

5º Tendencies Rock Festival
Palmas (TO)
14 e 15 de março
www.tendenciesrock.com.br

8° Primeiro Campeonato Mineiro de Surfe
Belo Horizonte (MG)
17 a 22 de março

Abril Pro Rock 2008
Recife (PE)
10 a 12 de abril

7° ELETRONIKA - Festival de Novas Tendências Musicais
Belo Horizonte (MG)
15 a 18 de maio

Festival Casarão Ano IX
Porto Velho (RO)
16 a 18 de maio

4º PMW Rock Festival
Palmas (TO)
19 e 20 de maio

Bananada 2008
Goiânia (GO)
23 a 25 de maio

Porão do Rock 2008
Brasília (DF)
30 e 31 de maio

Festival DoSol
Natal (RN)
07 e 08 de junho
www.festivaldosol.com

Boombahia
Salvador (BA)
12 e 13 de julho

PONTO.CE
Fortaleza (CE)
11 e 12 julho

Festival DoSol
Natal (RN)
11 a 13 de julho
www.festivaldosol.com

Semus - Semana da Musica de Matogrosso
Cuiabá (MT)
23 a 30 de julho
www.semus.blogger.com.br

MADA 2008
Natal (RN)
07 a 09 de agosto
www.festivalmada.com.br

VI Festival Calango de Artes Integradas
Cuiabá (MT)
15 a 17 de agosto
www.festivalcalango.com.br

Feira da Música 2008
Fortaleza (CE)
13 a 16 de agosto
www.feiradamúsica.com.br

Consciência Hip Hop
Cuiabá (MT)
21 a 23 de agosto

7º Vaca Amarela
Goiânia (GO)
05 e 06 de setembro

Mostra Internacional de Música em Olinda - MIMO
Olinda (PE)
01 a 07 de setembro
www.mimo.art.br

Jambolada 2008
Uberlândia (MG)
12 a 14 de setembro
www.jambolada.com.br

Festival Varadouro 2008
Rio Branco (AC)
26 e 27 de setembro

Festival Demo Sul 2008
Londrina (PR)
17 e 18 de outubro

XIV Goiânia Noise Festival
Goiânia (GO)
20 a 23 de novembro
www.festivalgoianianoise.com.br

Senhor F Festival
Brasília (DF)
21 e 22 de novembro
www.senhorf.com.br

Evidente
Rio de Janeiro (RJ)
12 a 14 de dezembro

Friday, February 08, 2008

#60 - Protagonismo juvenil

“I Conferência de Juventude vai traçar novos rumos para os jovens de Rondônia”


Desde o dia 05 de novembro que o governo do estado, através da Casa Civil, senador Expedito Júnior e vários setores da sociedade estão empenhados na I Conferência Estadual da Juventude. O evento está acontecendo em vários municípios do estado.


Nova União, que fica na região de Ouro Preto, foi onde ocorreram as primeiras discussões sobre o assunto. Os próximos serão: Rolim de Moura, Ouro Preto, Cacoal, Pimenta Bueno, Vilhena, Ji-Paraná, Mirante da Serra, Ariquemes e por último em Porto Velho. Na capital o evento acontecerá nos dias 06, 07 e 08 de março. A intenção do governo do estado é abranger os 52 municípios. Para isso espera a disponibilidade das outras prefeituras.


De acordo com o chefe da Casa Civil, Joarez Jardim, nessas discussões que ocorreram no interior já surtiu efeito. Foram apresentados vários projetos em prol da juventude. Projetos que vão proporcionar incentivos aos jovens nas áreas do esporte, cultura, lazer, saúde, educação, emprego, entre outras.


A conferência vem de encontro com o anseio do governador Ivo Cassol, cuja juventude tem sido uma de suas grandes preocupações desde que assumiu o governo de Rondônia. “O estado tem hoje 129 mil jovens. Estamos na década da juventude e a intenção é que eles se integrem à sociedade, uma vez que são o futuro do nosso país, mas para isso é preciso incentivo e isso deve partir de todos os setores ”, destaca Cassol.


Os projetos apresentados na Conferência serão encaminhados ao governador Ivo Cassol, que juntamente com a equipe do governo escolherão os melhores a serem desenvolvidos no Estado. Joarez Jardim informou que a intenção do governo do estado é criar uma coordenadoria da juventude para tratar melhor sobre esse setor.


Fonte: Assessoria do Governo de Rondônia (07/02/2008)
Link: http://www.vilhenaagora.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2681&Itemid=71


Em Vilhena a Conferência da Juventude não tem data marcada até o momento, mas será até o fim de fevereiro, pois a série de debates se encerra no começo de março, conforme nota da assessoria, em Porto Velho. A Câmara de Vereadores daqui enviará um requerimento para marcar a data o mais breve o possível.


Fica a dica para os jovens de Vilhena e região se informarem sobre as atividades desta Conferência e também participarem dos debates e apresentarem seus projetos.

Thursday, February 07, 2008

#59 - Comunicado:

O Coletivo Vilhena Rock vem por meio deste informar que infelizmente não poderá contar com as bandas convidadas de outros municípios no Festival Grito Rock devido à nova realidade que surgiu com a instalação da delegacia regional da Ordem dos Músicos do Brasil.

Segundo a instituição mencionada desde o dia 16/01 o evento que não estiver de acordo com as normas da OMB poderá sem embargado e seus músicos poderão ser multados. Apesar do coletivo se posicionar contra a tais normas não temos garantias legais de que possamos realizar o evento da forma que está, portanto para não acarretar possíveis transtornos financeiros para os músicos que vierem de fora decidimos realizar o evento apenas com bandas locais.

Infelizmente durante o processo de produção do festival tivemos vários revezes que nos fizeram alterar a data do evento, coisa que de forma alguma não queríamos que acontecesse, afinal temos compromisso com as bandas e principalmente o público.

Por fim, gostaríamos de afirmar que realizaremos o festival nas datas planejadas (23 e 24 de fevereiro), possivelmente com a alteração do local, devido à impossibilidade de se cobrar ingressos para a realização do festival (estamos atrás disso, queremos reverter), inviabilizando o aluguel do local pensado anteriormente.

Assinamos o repúdio pela forma de instalação da delegacia aqui em Vilhena, sem sequer haver uma reunião para esclarecimento aos músicos. Consideramos tal atitude como arbitrária e de má fé, por isso vamos atrás de nossos direitos como músicos e cidadãos, afinal temos por lei a garantia: "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independente de censura ou licença". – CF Art. 5º IX.

Agradecemos a atenção e esperamos por melhores dias,

Coletivo Vilhena Rock

Wednesday, January 30, 2008

#58 – A OMB é legal?

Nos últimos dias tem havido uma grande dúvida entre os músicos do estado de Rondônia em relação à instalação de delegacias que representam o Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) em Rondônia. Devido à diferença de atuação das delegacias e também devido aos valores e desinformações sobre este processo de instalação decidimos buscar informações dos vários lados deste processo.

A melhor coisa em momentos como este é buscar informações para que não exista dúvidas sobre o que se deve fazer. Para começar, uma matéria lançada no jornal Folha de Rondônia, ontem, sobre a OMB em Rondônia:


OMB vai fiscalizar músicos ilegais

Músicos que não possuem a carteirinha da OMB ficam impossibilitados de exercer a profissão

O Conselho Regional da Ordem dos Músicos do Brasil, em Rondônia (OMB) vai intensificar as fiscalizações em bares, clubes noturnos e eventos onde é cobrado ingresso, para que artistas, em situação irregular na profissão, se credenciem no órgão. Mas, alguns músicos reclamam que a taxa de anuidade e o valor da carteira são abusivas, como Vilson de Oliveira, que acha que o valor de R$ 220 (R$ 90 da anuidade e R$ 130 da carteira) não deveria ser cobrado. “É um valor absurdo. E a notificação é feita na pressão. Caso o músico não tenha carteira não pode tocar à noite”, reclamou. O prazo de pagamento da anuidade é de 1º de janeiro a 31 de março de cada ano. Passado o prazo há multa. Em Ji-Paraná existem cerca de 140 músicos que vivem da profissão. Até ontem, a ordem possuía apenas 50 membros.

Segundo o fiscal da OMS de Rondônia, com sede em Porto Velho, Antônio Oliveira, a Lei que regulamenta a profissão de músico foi criada pela lei 3.857 de 22 de dezembro de 1960 e tem como objetivo a seguridade e bem-estar do profissional da música, resguardando seus direitos legais. “Quem não é reconhecido profissionalmente não tem direitos a seguro desemprego e INSS. Nossa intenção é primar pelo direito profissional e impedir que músicos em situação irregular atuem, ocupando a vaga de quem está nos conformes”, argumentou. De acordo com Oliveira, convênios com o comércio, hospitais e hotéis do Estado estão sendo realizados. Em Rondônia ainda não foi criado o sindicato, que, em tese, atende os anseios dos músicos. A ordem cuida da fiscalização do exercício legal da profissão.

Há tipos de carteiras, uma para músico teórico, para conhecedores de Teoria Musical e que tenham formação na música, e a carteira para músico prático, para instrumentistas e cantores que atuam profissionalmente sem qualquer formação.

Os demais candidatos dependem de aprovação em exame de habilitação perante a uma banda examinadora. Certificado de alistamento militar, ou de reservista, para maiores de 18 anos; Título de eleitor; Prova de domicílio; Cópia de carteira de identidade; Cópia do CPF; e quatro fotos 3x4 são os documentos necessários para a inscrição.


Fonte:
Folha de Rondônia – Caderno 2
Ji-Paraná/RO
Terça-feira, 29 de janeiro de 2008
* Por Cristiane Abreu


Uma pequena análise:

(1) “OMB vai fiscalizar músicos ilegais”: o título é equivocado e em primeiro momento leva a crer que músicos “não-regularizados” são taxados como criminosos.

(2) “Músicos que não possuem a carteirinha da OMB ficam impossibilitados de exercer a profissão”: Leia os artigos 5º, IX CF/88 e 197 & 199 do Código Penal.

(3) “Quem não é reconhecido profissionalmente não tem direitos a seguro desemprego e INSS”: Músico pode contribuir como autônomo, segundo o MTE.

(4) “Nossa intenção é primar pelo direito profissional e impedir que músicos em situação irregular atuem, ocupando a vaga de quem está nos conformes”: Precedente perigoso e tendencioso, pois em Vilhena, pelo menos, os espaços foram conquistados em conjunto pelos músicos amadores (que tem outra profissão para se sustentar) e músicos profissionais, sem que haja prejuízo por ambas as partes.

(5) “É um valor absurdo. E a notificação é feita na pressão. Caso o músico não tenha carteira não pode tocar à noite”: o valor para a obtenção da carteira pode ser vista como abusiva pois em muitos casos vai além das condições financeiras de muitos músicos locais. Quanto à multas e notificações não aceite coação, se acaso se sentir acuado lembre-se que você tem direitos. Não pague e não assine nada sobre pressão.

Mantenha-se informado. Mais informações em breve.

Monday, January 28, 2008

#57 - Hey Hey Hey em novos rumos!!!
* Por Bruna Cruz

Ano novo, banda nova, nome novo Ep novo... Enfim mudanças é o que não faltam na nova fase dos moços (e moça) da Hey Hey Hey (PVH), isso pode causar até uma zonzeira de tanta reviravolta!! Mas o que a banda promete é mesmo uma sonzeira! Abaixo segue o caminho das pedras pra decifrar esses novos caminhos.
Geralmente o fim de ano trás mudanças, promessas de melhoras e essa coisa toda. A antiga banda “A Fabrica” não quis deixar pra depois e resolveu próximo do fim do ano passado mudar de nome, direção e estilo. O anúncio do novo nome “Hey Hey Hey!" foi recebido com espanto e ao mesmo tempo divertimento dado o modo como o vocalista, Marcos Fonseca, fez o anúncio durante a apresentação da banda no Festival Beradeiros: "Esse é o nome mais idiota que poderíamos escolher, mas é o que mais tem a ver com a gente e com a nossa nova proposta".
Essa nova fase pode ser caracterizada pela sonoridade que se aproxima de power pop e pela mudança de integrantes. Na entrevista abaixo Marcos nos fala do lançamento do EP Pequeno Monstro e mostra que de idiota a Hey Hey Hey! não tem nada...
Bom, a Hey Hey Hey! se chamava Fabrica e me parece que mudou outras coisas junto com o nome, por exemplo, o estilo de som, você acha que essas mudanças são uma evolução, o que aconteceu de fato?
A mudança do nome foi na verdade apenas uma bandeira, uma forma de sinalizar a todos que a banda era outra, que o som que fazíamos agora, não era o mesmo. De cara, o som ficou a nossa cara. Mais pesado, mais rock do que as últimas coisas que vínhamos fazendo... Por exemplo, Supergrass, Super furry Animals, Pato Fu e por ai vai...
E quais foram as mudanças?
E na verdade, nossas influências não mudaram tanto. O que fizemos foi acrescentar mais peso com o baixo distorcido, com uma bateria mais firme, mais variações de efeitos com os pedais das guitarras, e o teclado de brinquedo que deu um tom mais divertido para o som da banda.
E sobre os novos membros a colaborou para esse direcionamento diferente?Bom, a mudança dos membros colaborou parcialmente para isso, na realidade as mudanças já estavam acontecendo. Mais ou menos desde a entrada do Gabriel (baterista), quando a Neila (baixista) entrou as mudanças já estavam meio que previstas.

E sobre o novo EP, você pode dizer como ele ficou e principalmente se vocês conseguiram alcançar à famosa "pegada"?
(Em uma matéria publicada na Dynamite no ano passado A ex-banda A Fabrica foi descrita com uma “banda sem pegada”).
O EP, intitulado Pequeno Monstro, que têm umas das músicas com o mesmo nome, é uma gravação, caseira. Mas foi onde, pela primeira vez, tivemos a oportunidade de brincar com as coisas que criamos. Acho que encontramos a nossa forma de tocar, e o resultado é bem interessante para os nossos ouvidos, e espero que seja para mais alguns.
Ok, e pra 2008 quais são os planos na recém nascida Hey Hey Hey! ?
Existem alguns Festivais em vista, nessa semana nos apresentaremos em Rio Branco-AC no Grito Rock América Latina e também no Grito Rock daqui de Porto Velho. Existem alguns bares em vista e alguns buracos também.Esse ano queremos tocar e distribuir o EP o máximo possível em todos os lugares por onde gente passe.
Massa, e pra finalizar tem alguma recomendação pra os fãs da banda, sei lá, ou vir o CD de ponta cabeça, ouvir de trás frente, qualquer coisa! Diz ai, o espaço tá aberto!
O CD quem têm participações obscuras do Luiz ex-Made in Marte, que também dá as caras como produtoras neste EP, terá algumas brincadeiras barulhentas. Espero que ninguém se assuste.
A Hey Hey Hey! é formada por Marcos Fonseca nos vocais e guitarra, Neila Azevedo no baixo, Fiorelo Filho na guitarra e Gabriel Dantas na bateria. Se quiser mais informações acesse o blog da banda.

Veja também:

1 - Lançamento "do EP pequeno Monstro", mudança de nome, e tudo mais oque você quiser saber sobre a nova fase da ex- A Fabrica no blog Beradeiros
http://beradeiros.blogspot.com/%20!!!!

2 - Os textos recentemente publicados sobre a banda e alguma coisa do que rola nos ensaios e nas cabeças dos mocinhos no:
http://www.heyheyheybanda.blogspot.com/

3 - Eu sei que a curiosidade para ouvir o EP novo da Hey Hey Hey tá te roendo!!! hehehe!Então dá uma ouvida aqui:
http://www.myspace.com/bandaheyheyhey

4 - Deu vontade de ver também!!? Então bizóia aqui:
http://it.youtube.com/watch?v=JTvAEwhC5q8&feature=related - Esse vídeo é da novissíma música "Eu não conheço você" e foi filmada ao vivo lá no Festival Beradeiros.

* Matéria lançada em conjunto com o Blog do Projeto Beradeiros: http://www.beradeiros.blogspot.com/

Friday, January 25, 2008

#56 - Cinco motivos para “Gritar”

Em meio a tanta correria e revezes a produção do festival Grito Rock América do Sul em Vilhena volta a seu rumo normal. Por duas vezes adiamos a data (inicialmente era nos dias 02 & 03, depois 09 & 10 e finalmente 23 & 24 de fevereiro), mas, apesar disso, acreditamos estar no rumo certo.

Entretanto muita gente questiona a validade do Grito Rock como festival integrado, já que vários produtores farão seus eventos por própria conta e risco, enquanto outros terão vários subsídios e patrocínios, digamos, “graúdos”. São questões pertinentes porque vêm de pessoas que de alguma forma já tomaram uma “r锹 no passado em eventos, principalmente em eventos de rock.

De fato, muita gente é desconfiada em relação à produção de eventos, não por falta de vontade, mas por não se sentir confiante naquilo.

Essas dúvidas deixaram muitas cidades sem poder confirmar a sua participação no Grito. Rondônia mesmo poderia ter a sua quarta adesão neste ano, a cidade de Cacoal, que deixou de realizar o festival talvez pela falta de iniciativa de algum produtor “peitar” o evento, mas acredito que nem todas as questões foram devidamente esclarecidas para que alguém sentisse confiança suficiente para realizar o evento por lá. Vale ressaltar que a cena de Cacoal é rica em bandas, duas, aliás, circularão pelos Gritos de Rondônia: Relicário e Mecânicos.

Nós, aqui em Vilhena, muito antes da integração do Grito Rock já havíamos idealizado, e realizado, um festival de rock no Carnaval – o Carnarock – após muitas “falácias” de que iam fazer um festival de rock nessas épocas, mas nunca faziam (o lendário Carnapunk), em 2006 decidimos fazer. Em 2007 já estávamos integrados ao Grito Rock Nacional, sendo, inclusive, a menor cidade (em número de habitantes) a realizar o evento em todo o país.

O que nos motiva a acreditar e participar da realização do maior festival integrado da América do Sul, quiçá do mundo, são estes cinco pontos:

01. Circulação de bandas: o Grito Rock proporciona a circulação de bandas por vários pontos do país. Bom para produtores, que diminuem seus custos e melhor para as bandas que divulgam seus trabalhos.

02. Inserção de novos produtores: o festival proporciona a inserção de novos produtores no Circuito Fora do Eixo. Pessoas que já trabalham em suas respectivas cenas podem agora participar de atividades integradas.

03. Intercâmbios: não só de bandas, mas de produtores, jornalistas, fotógrafos, entre outros. Com a circulação de várias pessoas por diversas cenas o intercâmbio cultural passa a ser a principal prerrogativa do festival.

04. Software livre: o Grito Rock dá aos produtores a liberdade de adaptar o festival à realidade local. Para se ter idéia o número de bandas das edições varia entre 3 a 50 atrações.

05. Troca de tecnologias e informações: O Grito também possibilita as troca de tecnologias e informações de forma mais intensiva. Cenas do Amapá ao Rio Grande do Sul interagindo, quer mais?

Fica pra 2009 a proposta de um Patrocínio “Master”, que possa cobrir todos os eventos. É um pensamento que pode parecer utópico, se considerarmos TODAS as produções, mas já em 2008 tivemos a sensação de que é sim possível.

Dentro de RO vamos articular um patrocínio que possibilite uma boa captação para todos os festivais dessa iniciativa que ocorrerem aqui. Mas, só para 2009.

Glossário

¹ “Tomar uma ré” = levar prejuízo.


Mudando de assunto

Vilhena Rock “adota” curadoria

O coletivo Vilhena Rock após a realização do festival Grito Rock adotará criará uma curadoria que será responsável por receber, catalogar e arquivar o material enviado pelas bandas de outros municípios e acompanhar as bandas locais.

Como conseqüência os eventos realizados pelo coletivo não necessitarão mais de inscrições. Ou seja, a banda que se interessar em tocar em Vilhena por meio do coletivo Vilhena Rock precisará apenas mandar enviar um e-mail com as seguintes informações:

* Nome da banda
* Cidade/UF
* Estilo
* Release + Histórico
* Integrantes
*Sites onde possam ser encontradas informações e faixas da banda.
* Fotos de divulgação e logos da banda
* E-mail / Telefone do responsável pela banda

Junte tudo isso e envie para o e-mail: vilhenarock@gmail.com . Assim que recebermos o material responderemos o e-mail confirmando a entrada da banda para o acervo do Vilhena Rock.

O acervo norteará a escolha de bandas em todos os projetos do Vilhena Rock: Vilhena Rock Festival, Grito Rock Vilhena, Unir Pró Rock entre outros.

Thursday, January 24, 2008

#55 - A Música Fora do Eixo
Blog do Pedro Alexandre Sanches / Carta Capital – Especial
* Texto de 2005

Novas tecnologias turbinam um imenso mercado informal à margem do império das gravadoras e da mídia. Um caldeirão cultural que mistura tradição e futurismo.


Quem pensa que conhece bem a música brasileira precisa reavaliar suas certezas neste início de século XXI. Basta deixar de lado por um momento o que está nas lojas, no rádio e na tevê e ouvir um pouco dos sons e das histórias vindas das periferias (geográficas e econômicas) do Brasil para perceber que algo novo está em curso.

Os novos paradigmas parecem se concentrar e se encontrar todos no extremo norte do País, na pujante cena musical de Belém do Pará. Assim o antropólogo Hermano Vianna descreveu o ambiente das "festas de aparelhagem" que forjaram o gênero "tecnobrega", uma convergência mestiça de ritmos brasileiros e caribenhos, música tradicional, "cafona" e eletrônica, romantismo de Roberto Carlos e tecnologia de DJs: "Quando as novidades são apresentadas, os fãs-clubes das aparelhagens vão ao delírio, com braços para cima, como se estivessem saudando a aparição de uma divindade, o totem da tribo eletrônica da periferia de Belém".

É a periferia da periferia que se move ali. Todo um mercado informal se desenvolve sem freios a partir dos bailes de aparelhagem, de artistas pobres que manipulam música em computadores caseiros e de camelôs que espalham a caudalosa produção em CDs de MP3 em que cabem centenas de músicas.
Cenas semelhantes se reproduzem nas periferias de cada Estado. Nas ruas de Salvador (BA), meninos pobres vendem, por R$ 5 cada, discos de rap, música eletrônica, percussão afrobaiana e canções infantis fabricados por eles próprios num projeto coletivo chamado Eletrocooperativa.

Com sede no Pelourinho, a instituição é um projeto artístico-educacional: para aprender a manipular tecnologia, usar computadores e produzir música, 50 dos 307 jovens atualmente atendidos ganham carteira assinada, vale-transporte e alimentação, cesta básica etc. O único pré-requisito é estar cursando ou ter concluído o segundo grau.

Em Cuiabá (MT), 12 jovens cidadãos se uniram na criação do Espaço Cubo, uma central autônoma que organiza, entre outros empreendimentos, a cooperativa de músicos Volume, o selo Cubo Discos, os festivais de música Calango e Grito Rock, o Estúdio Cubo de gravações e ensaios, a Agência Cubo de Bandas e ações educativas diretas em escolas públicas locais.

Durante a edição mais recente do festival Goiânia Noise, em dezembro passado, a capital de Goiás testemunhou não apenas shows de rock pesado, mas também a fundação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin), congregando produtores de festivais de estilos musicais diversos de vários Estados periféricos do País.

Na mesma ocasião, foram lançadas também as diretrizes de criação do Circuito Fora do Eixo, com portal na Internet, programas de rádio, distribuidora de discos etc. Nas palavras de um dos participantes, Pablo Capilé (que também integra o Espaço Cubo), "englobará os estados historicamente alijados das benesses estruturais do eixo Rio-São Paulo, incluindo, no primeiro momento, Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe".
Também em dezembro, acontecia em Salvador a sexta edição do Mercado Cultural da Bahia, misto de feira cultural e festival cuja parte musical agrupou dezenas de artistas dos mais diversos estados do País (inclusive Rio e São Paulo), da América Latina e até da Escandinávia. Todos pertencem às delimitações habituais da dita música de qualidade. Nenhum deles porta vínculos com as outrora hegemônicas gravadoras multinacionais.

São apenas algumas das inúmeras demonstrações de que um outro Brasil musical se desenrola para além dos limites habitualmente cobertos pela mídia que orbita no eixo Rio-SP. Esse outro Brasil é em tudo diferente do cenário pintado nos últimos anos pelas grandes gravadoras de discos, que repetidas vezes previram "a morte da música", caso não fossem contidos o avanço da pirataria e os usos e abusos da tecnologia. Enquanto assim se posicionavam, a música contornava previsões e ameaças para se fazer mais viva que nunca, em cada canto do País.

A informalidade ainda é uma das marcas de fogo do novo momento, mas parece já ficar para trás o embate simbólico que caracterizou a fase anterior, de gravadoras e músicos "honestos" de um lado, piratas "criminosos" de outro. É uma das características da cena paraense, segundo Vladimir Cunha, que prepara o documentário Brega S/A, em busca de destrinchar as transformações por que passa a cadeia produtiva local de música.

"Nem se pode falar em pirataria, porque não há ninguém ali recolhendo imposto ou direito autoral. É um marcado informal, efêmero, sem regras. Os artistas são muito pobres, mas com R$ 50 gravam uma música. A maioria das pessoas nem vive de música: trabalha no comércio de dia e canta à noite. Transitam entre o estrelato e a pobreza", avalia.

Cunha segue a rota informal do sucesso: "Belém é isolada do Brasil, mas fez uma relação forte com a tecnologia. O tecnobrega é todo digital, não existem mais gravadoras nem estúdios. É tudo feito no fundo do quintal. O atravessador do pirata passa de casa apanhando os MP3 que o camelô vai vender. Se a música ficar popular no camelô, será tocada no baile e renderá mais shows para o artista. Na festa, ele manda abraço para a galera do bairro, o show é gravado na hora e na saída já está à venda. O cara compra porque foi citado".

Caem em desuso esquemas tradicionais de jabaculê (o suborno entre gravadoras e mídia que infla artificialmente a execução radiofônica e televisiva de "sucessos" populares), segundo ele. "O camelô não cobra jabá, na aparelhagem não se paga para tocar. Não interessa para eles se o Zezé di Camargo está perdendo dinheiro, porque não se trata de pirataria”.

A informalidade avança e toca no sistema oficial: o produtor Beto Metralha, residente do bairro periférico de Jurunas, é um dos que gravam sozinhos, em esquema 100% caseiro, programas de rádio e tevê que divulgarão o tecnobrega nas repetidoras locais de estações nacionais como a Rede TV! e mesmo a Cultura, antes refratária à música que não corresponde a padrões estabelecidos de qualidade.

Dessa mesma cena brotou o grupo que é o atual recordista em shows e discos vendidos (5 milhões, em seis anos de existência) e, por isso, furou a própria invisibilidade na mídia e já passeia com desenvoltura pelos programas dominicais da tevê aberta nacional. A Banda Calypso abandonou a informalidade e desfruta de estrutura profissional, com produtora e gravadora próprias, sediadas em Recife (PE).

A imagem de informalidade e independência que há anos floresce nos morros do Rio (com o funk carioca) e na periferia paulistana (o hip hop) apresenta Belém como um terceiro pólo, mas se esparrama pelo País, com o forró amazonense e cearense, o lambadão mato-grossense, a tchê music gaúcha, o arrocha baiano e assim por diante. Todas agregam uso universal da tecnologia com saberes musicais locais e formam uma rede espontânea que circula de periferia em periferia.

Se nessas cenas ainda prevalecem a informalidade e os subempregos, o processo de profissionalização também se acelera Brasil afora.

É o que ocorre na Eletrocooperativa baiana, que lançou no final do ano uma série de CDs autoproduzidos pelos alunos, dispersos entre hip hop com acento local (Afrogueto, Império Negro) e ritmos locais entremeados com recursos eletrônicos (os discos Caçuá Eletrônico, Eletropercusiva e O Folclore – A Alma dos Povos), entre outras fusões.O CD coletivo Eletro Erê, por exemplo, reveste cantigas de roda como Boi da Cara Preta e Se Essa Rua Fosse Minha com percussão baiana e rap. "A intenção é tirar um pouco a sexualidade de pauta da criançada. O universo lúdico está esquecido nas festas infantis, é só boquinha de garrafa, festa no apê", justifica o baiano Reinaldo Pamponet, um dos criadores da Eletrocooperativa.

Uma das âncoras do projeto é o apoio psicológico aos jovens ali atendidos. "Ensinamos música e tratamos de temas transversais como drogas, violência, sexualidade, paternidade responsável, o valor do dinheiro, cidadania. A idéia é que, quando chegarem ao mercado de trabalho, eles tenham vivido sempre no coletivo. Alguns reagem ao acompanhamento psicológico, dizem 'eu não sou maluco', mas quem quiser continuar vai ter que se analisar, sim”.

Outra experiência de organização é a do Espaço Cubo, de Cuiabá, que chega à sofisticação de ter cunhado uma moeda própria, o Cubo Card. Pablo Capilé explica: "É um sistema de créditos que auxilia na profissionalização dos artistas e nas inter-relações entre o instituto e a classe, uma moeda de troca de prestação de serviços. Por exemplo, a banda toca em uma produção da Cubo Eventos e recebe 300 Cubo Cards. Cada um equivale a R$ 1,50, e ela pode trocar esses créditos por ensaios, gravações, assessoria de imprensa, locação de equipamentos etc.”.

O grupo parece se profissionalizar e se politizar ao mesmo tempo, mantendo contato constante com poderes locais e federal. "É nossa obrigação nos organizarmos. A verba para cultura é de todos e para todos. Temos que acabar com os 'carlismos', 'caetanismos' e 'barretismos' a que somos submetidos. Não podemos ficar só apresentando projetos e esperando a aprovação, temos que nos mobilizar", discursa Capilé.

Caso equivalente é o dos produtores de festivais Brasil afora que passaram a se reunir e a se organizar em classe, sobrepujando até questões estéticas e de rivalidade entre subgêneros musicais.

Os associados de primeira hora vêm de festivais de rock pauleira a música eletrônica. Vão da surf music do Primeiro Campeonato Mineiro de Surf ao evento de discussões conceituais e tecnológicas Porto Livre, do grupo pernambucano que coordena desde 1993 o Abril pro Rock. Passam por Natal (Festival do Sol), Uberlândia (Jambolada), Brasília (Senhor Festival) etc.

"Percebemos que era preciso encontrar um jeito de nos fortalecer em conjunto, em vez de ficar chorando as pitangas uns para os outros", sintetiza um dos pilotos da Abrafin, Fabrício Nobre, dos festivais goianos de rock Bananada e Goiânia Noise e da gravadora independente Monstro.

Após revelar a cena mangue bit pernambucana e vários outros brasis para o Brasil, o Abril pro Rock vai um passo além na profissionalização e luta por se internacionalizar. Seu organizador, Paulo André Pires, se desdobra também no agenciamento internacional de carreiras artísticas como as da Nação Zumbi e do DJ Dolores. "É difícil sobreviver somente aqui, ouvindo patrocinador pedir para incluir o Capital Inicial. Não investimos em trazer atriz e ator da Globo para dar pinta, se estivéssemos nessa de dinheiro já teríamos saído fora há muito tempo", justifica Pires.

Outro formato que se divide entre dialogar com a terra natal e com mercados exteriores também periféricos é o Mercado Cultural da Bahia, definido pelo diretor Ruy Cezar como uma iniciativa para fomentar um mercado de música de qualidade, algo "que a grande indústria não promove" – e que nessa sexta edição reuniu 600 artistas e 800 especialistas de cultura de vários países.

O curador musical é Benjamin Taubkin, que vem de outra iniciativa descentralizadora, a do projeto Rumos, do Itaú Cultural. Uma das chaves do projeto, segundo ele, se concentra nos debates, para os quais procura adotar o seguinte norte: "A gente não faz seminário de lamentação. Tem problemas? OK, como é que se contornam os problemas? Um péssimo vício nosso é essa idéia de que precisamos salvar o Brasil, mas quem salva sou eu, não você. Uma andorinha não faz verão, a cultura se modifica por vários”.

"Achei que o papel fosse buscar a diversidade musical das várias regiões do Brasil. O que queremos é que cada trabalho selecionado tenha ligação com sua origem. Pode ser rock, rap ou música eletrônica, desde que tenha um pé na sua região", completa Taubkin, ele próprio ancorado na tradição da música instrumental.

De tal conceituação surge um festival que, embora mais dedicado à comunidade cultural que ao público consumidor, estabelece parâmetros aos quais o Brasil só agora começa a se acostumar. Na volumosa programação, convivem pacificamente gêneros e artistas os mais diversos. Eis alguns exemplos díspares, testemunhados em dezembro por Carta Capital: O poeta, cordelista, repentista e cantador Bule Bule, de Feira de Santana (BA), apresentava seu samba de roda mais rural que urbano, sem entrar em contradição com o discurso sócio-político do grupo de hip hop Faces do Subúrbio, de Recife (PE). O Trio Manari, do Pará, extraía jazz e sambão de reco-recos indígenas gigantes, enquanto os rapazes do Naurêa despejavam em ritmo de "forrock" os lemas "como é bom ser brasileiro" e "como é bom ser sergipano”.

No Teatro Castro Alves, Vitor Ramil evocava a melancolia, o frio e as milongas do Rio Grande do Sul; em praça aberta, o grupo Lado 2 Estéreo, do Piauí, exibia um híbrido de drum’n’bass, "samba black power" e rock militante anti-discriminação racial e social. No palco, Josh, do Lado B Estéreo, provocava os anfitriões: "Mandaram eu colocar a camiseta de volta, porque aqui é a Bahia. Tirei porque lembrei que aqui é a terra de Carla Perez”.

Josh tenta resumir o ambiente em que virou artista: "Teresina é uma cidade que vive sob o padrão Globo de sucesso. Não fazemos parte de nenhuma cena que temos que seguir. Uma vantagem que no início era dificuldade é a gente ser de uma cidade improvável. É um estranhamento”. O Brasil musical que resulta dessas tantas imagens díspares é complexo, diversificado e em nada uniforme como faziam supor, ao longo dos anos 90, gravadoras e mídia. Dilui monoculturas como as de axé music, pagode urbano e canção sertaneja, assimilando-as e as revestindo de diversidade que antes não possuíam.

No pólo Norte, por exemplo, Daniel Zen, organizador do festival Varadouro, manda notícias sobre a nova música do Acre: "A contradição/fusão entre urbano e florestal, típica das cidades amazônicas, constitui a poética de boa parte das bandas daqui, o que demonstra uma identidade local, que reúne essa contradição urbana/florestal".

No pólo Sul, Marcelo Domingues, do DemoSul, dá informações diversas, mas semelhantes, sobre Londrina (PR): "Hoje, há cerca de 80 bandas em atividade na cidade, variando entre o rock, o pop e a MPB. São lançados de 15 a 20 CDs por ano, alguns pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura e outros por iniciativa independente de selos como Lab Records, que era direcionado apenas a punk e hardcore e agora começará a lançar outros estilos".

De volta ao Pará, Vladimir Cunha ensaia a síntese entre tantas possibilidades díspares, defendendo ao mesmo tempo a qualidade popular do tecnobrega e novos diferenciais estabelecidos por bandas de rock como La Pupuña e Suzana Flag, que adotaram o português e as referências musicais locais lado a lado com fascínio "universal" pelo pop-rock anglo-americano.

"São alunos de música e chamam artistas do tecnobrega para tocar com eles, chancelando-os não mais como paródia. São formados em música e se aproximam da periferia para começar a entender o lugar em que vivem", afirma, consciente de que Belém não quer ser Londres, Hollywood, a Rede Globo ou São Paulo. Belém quer ser Belém – e isso talvez comece a se estender a cada cidade do Brasil.
NA ERA DAS GRAVADORAS DE ESQUINA
"A indústria fonográfica tradicional perdeu conexão com o gosto popular", avalia o antropólogo Hermano Vianna.
Uma das figuras estratégicas no acompanhamento da descentralização que vive a música brasileira é o antropólogo Hermano Vianna, que co-dirigiu com o produtor Beto Villares o projeto Música do Brasil, uma espécie de atualização das expedições de Mário de Andrade (1893-1945) rumo às musicalidades do Brasil profundo.Vianna cultiva ramificações íntimas com a cultura oficial: é próximo tanto de Caetano Veloso, quanto da Globo, quanto do ultracomercial Tim Festival, quanto do Ministério da Cultura de Gilberto Gil. Mas também atua como um ideólogo do outro lado da moeda, como mostra na entrevista a seguir.

CartaCapital: A música do Brasil não precisa mais de gravadora, tevê em rede nacional, rádio, jornal e revista?
Hermano Vianna: A música mais popular no Brasil não precisa mais de nada disso. O pessoal se cansou de esperar oportunidade, de reclamar da falta de espaço e atenção das gravadoras. Partiram para a ação, aproveitando o desenvolvimento tecnológico que tornou fácil e barato que qualquer banda produza seus discos. Onde há um computador com gravador de CD, há uma gravadora. Então, há gravadoras em praticamente todas as favelas brasileiras. Quase todas as favelas agora têm lan houses, já reparou?

O sucesso da Banda Calypso não foi produzido por gravadoras, e só quando já haviam sido vendidos milhões de CDs nos camelódromos as rádios e tevês passaram a tocar. Todas as bandas do forró eletrônico cearense já produziram DVDs, inventando uma nova indústria audiovisual que não depende de Lei Rouanet, mas abastece os bares de periferia. O lambadão cuiabano e a tchê music gaúcha inventaram suas economias paralelas, que só são paralelas do ponto de vista da grande mídia.

Quando leio as estatísticas de queda da indústria fonográfica, fico surpreso. Todas essas bandas fora da indústria vendem muito, os shows estão lotados por multidões, mesmo nas regiões mais pobres. Foi a indústria fonográfica tradicional que perdeu conexão com o gosto popular. Nos camelôs de Belém, toda semana há lançamentos novos de tecnobrega, com as músicas que estouraram no último domingo nas festas da periferia paraense. A indústria fonográfica não tem essa agilidade.

CC: A música brasileira vive um processo de descentralização?
HV: A descentralização é inegável. Não aconteceu por projeto político, até porque a maior parte dos movimentos políticos "conscientes" despreza essas músicas, condenando-as como alienadas ou lixo cultural. Mas aconteceu, em todos os lugares ao mesmo tempo. As gravadoras lançam quantos artistas por ano? E quanta gente faz música pelo Brasil? É uma multidão que fica de fora. A multidão resolveu lançar seus discos. Não é mais um movimento centralizado no Rio e em São Paulo. Cada cena desenvolveu modelos diferentes, adaptados à realidade local. São maneiras experimentais de produzir, divulgar e ganhar dinheiro com música. E as periferias se comunicam entre elas, sem depender de Rio e São Paulo. Já há uma rede nacional de comunicação paralela, que não é mais centralizada.

CC: Onde você colocaria, nesse tabuleiro, a produção musical dita intelectualizada?HV: Acho que é mais dependente do esquema antigo. Ainda fica esperando que uma grande gravadora venha salvá-la. Acreditamos que a música boa é produzida por artistas geniais, por criadores privilegiados, não é? Eles são admirados como pessoas superiores. Suas criações devem ser protegidas e perpetuadas como se fossem de vidro frágil, como se tudo conspirasse contra elas. Essa concepção de arte é recente, apareceu com o Romantismo europeu. Antes música era uma produção coletiva, sem "autores" e "direitos autorais". Isso continua a acontecer na maior parte das festas populares brasileiras. As pessoas ali têm uma relação diferente com a música: tudo é brincadeira de todos. Ninguém está ali para reverenciar quem está no palco. Quem está no palco é igual a quem está na platéia.
CC: A cisão entre centro e periferia na música, que você tem descrito, é irremediável? Como se poderiam reconciliar essas duas pontas que não se compreendem uma à outra?
HV: Uso as palavras centro e periferia como provocação. São muito carregadas, muitos grupos diferentes acham que são donos delas. Gosto de bagunçar o coreto dessas fronteiras: tudo que acontece de interessante passa sempre de um lado para o outro. Se não fosse a indústria de informática do centro do império norte-americano, nenhuma dessas novas músicas periféricas existiria. O mundo é felizmente mais complexo do que um jogo com dois lados. Há muitos lados. Sempre gostei de mediação.


Fonte: http://www.cultura.gov.br/foruns_de_cultura/cultura_digital/na_midia/index.php?p=14097&more=1&c=1&pb=1

Wednesday, January 23, 2008

#54 - O Grito Rock em Rondônia

21:30 - Kilowatts
22:00 - Odisséia
22:30 - Neófytos
23:00 - Rádio ao Vivo
23:30 - Miss Jane
00:00 - Recato
00:30 - Sanctify
01:00 - Hey Hey Hey
01:30 - Somos (SP)

LOCAL: The Marco's House – Rua Eliezer de Carvalho nº 5942 - Bairro Nova Caiari

INGRESSOS: R$ 5,00

O Grito Rock em Porto Velho é organizado pelo Projeto Beradeiros. O ponto forte é a diversidade de bandas, desde o pop da Kilowatts até a miscelânea da paulistana Somos, passando pela hype rondoniense Recato. Os metaleiros também não têm do que reclamar, Neofytos e Sanctify representam bem o movimento no festival.

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GRITO ROCK JI-PARANÁ - 16 de Fevereiro

Hawk Angel
Neófytos
Di Marco
Insanes
Urbanóid´s
Ultimato
Relicário
Lirow
LOCAL: GerivaldãoInício às 18 h
INGRESSOS: 1KG DE ALIMENTO NÃO PERECIVEL!!!

O Grito Rock em Ji-Paraná é organizado por integrantes das bandas Di Marco, Hawk Angel e Neofytos, também é diversificado. Conta com a presença de uma das melhores bandas da atualidade em Rondônia, Ultimato, e também com boas representantes da região central do estado, como Relicário e Di Marco.

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GRITO ROCK VILHENA - 23 e 24 de Fevereiro
Dia 23/02
19:00 – 19:50 Renúncia (RO)
19:50 – 20:40 Mecânicos (RO)
20:40 – 21:30 Blush Azul (AC)
21:30 – 22:20 Several Bulldogs (RR)
22:20 – 23:10 Sub Pop (RO)
23:10 – 24:00 Strutura 6 (RO)

Dia 24/02
19:00 – 19:50 Sistema Oposto (RO)
19:50 – 20:40 Overdrive (RO)
20:40 – 21:30 Snorks (MT)
21:30 – 22:20 Di Marco (RO)
22:20 – 23:10 Coveiros (RO)
23:10 – 24:00 Enmou (RO)
LOCAL: A confirmar

INGRESSOS: R$ 8,00
PASSAPORTE: R$ 10,00

Por último, mas não menos importante, a edição mais polêmica do estado: Vilhena. A única que levantou polêmica no processo de escolha e também a única edição que terá dois dias de evento, pelo menos neste ano. Novamente conta com a presença de bandas de outros estados como a Several Bulldogs e seu hard rock. Esta edição é organizada pelo Coletivo Vilhena Rock.

Enfim, boa sorte a todos os gritos em Rondônia e no país todo!

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NÚMEROS

29 shows
27 bandas
09 cidades representadas
05 estados representados

Tuesday, January 22, 2008

#53 - COMUNICADO:

Grito Rock Vilhena RO 2008 ADIADO

O Festival Grito Rock Vilhena RO 2008 foi adiado para os dias 23 e 24 de fevereiro, sábado e domingo respectivamente.

Vamos confirmar as bandas e soltamos a programação em breve.

Sem mais no momento,

Coletivo Vilhena Rock.

Tuesday, January 15, 2008

#52 – De volta das Féééééééérias

Ao voltar definitivamente das férias o blog Vilhena Rock Zine está com força total para 2008. Novidades?

No canto direito você poderá acompanhar as próximas movimentações do Coletivo Vilhena Rock no espaço “Próximo Passo”, que será a ‘vitrine’ dos projetos a serem executados. Também no canto direito você acompanhará a movimentação cultural de Vilhena, na ‘AGENDA’.

PRÓXIMO PASSO: Grito Rock Vilhena RO 2008

Para adiantar, o próximo evento a ser realizado pelo Coletivo Vilhena Rock é a edição local do maior festival integrado (e independente) da América Latina: o Grito Rock América do Sul.

Em Vilhena o Grito conta com um suspense: o local. O dono da casa de shows ainda não retornou de sua viagem para dar a resposta definitiva, mas as expectativas são as melhores possíveis. Mas o plano B e o plano C estão na agulha já. O importante é: o evento está confirmado. Confira ao lado a programação...

AGENDA: Santa Music Festival II

A cultura gospel em Vilhena é evidente – cabe dizer que somos a cidade rondoniense com mais igrejas por m² de Rondônia – e atrai muitos jovens das mais diversas denominações religiosas. Exemplo disso é a Geração JB, evento que reúne jovens evangélicos, católicos e ateus declarados (mas que gostam de música), realizado todas as segundas na Praça Padre Ângelo Spadari. Jovens que utilizam a música como meio para transmitir uma mensagem positiva e de muita convicção. Quem atua na frente do evento é Enéas Santos, ex-integrante da banda gospel Renúncia.

Outro evento que é realizado, só que anualmente, e envolve música e religião numa abordagem leve e jovem é o Santa Music Festival, que no dia 26 de janeiro será realizado pela segunda vez em Vilhena. O Santa Music também é um festival realizado em diversas cidades do país e que também, como o Grito Rock, foi bem recebido pelo público local. O festival terá como atrações os DJ’s Tile Boy e Jr. Zaffari juntamente com as bandas Anjos de Asas (de Ji-Paraná) e Strutura 6, que encabeça o projeto.

O Santa Music Festival II será realizado no Salão de Festas da Igreja Nossa Senhora Aparecida. O ingresso custa R$ 5,00.


Por enquanto é só pessoal...