Showing posts with label ABRAFIN. Show all posts
Showing posts with label ABRAFIN. Show all posts

Thursday, June 05, 2008

#78 - Três acordes, do meio para o final


OPINIÃO
Parte II: Casarão, o Festival

Bom, o que era para ser escrito sobre as bandas já foi, bem ou mal relatado diga-se de passagem, então para dar continuidade à opinião em três partes é hora de analisar o festival Casarão.

Vinicius Lemos, organizador do festival, procurou diversificar na hora de escolher os convidados. Da imprensa vieram representantes de veículos midiáticos como Rolling Stone, Revista Trip, Urbanaque, Folha de São Paulo, Jornal do Brasil, Amazon sat, Jornais do Interior e Senhor F (que não pôde comparecer), além da cobertura local. Da parte imprensa a cobertura que se diferenciou foi a da Amazon Sat, feita pelo repórter cinematográfico Orlando Júnior, tanto pela qualidade do material veiculado quanto pela repercussão que teve, principalmente na região Norte, agregando valor regional ao festival (a Amazon Sat pode ser vista, em canal aberto, em toda Amazônia Legal).

Podcasts a parte, acredito que a cobertura geral do Casarão foi positiva, inserindo o festival no circuito de festivais do Brasil, firmando mais um nome do Norte na mídia especializada, créditos também ao Projeto Beradeiros que com seu Festival também fizeram parte da história de “atração” da mídia, mas há de se firmar que o Casarão desse ano trouxe a consolidação. Enfim, Rondônia, bem ou mal, já faz parte do mapa nacional de música independente.

A vinda de produtores da ABRAFIN e Circuito Fora do Eixo também foi ponto importante, senão o mais, para a consolidação do nome de Rondônia no Circuito. Cerca de 12 festivais (incluindo os do interior de Rondônia) estavam representados ali, reunidos para debater a nova realidade musical brasileira.

Os debates e seminários

No dia 30 de abril começaram o ciclo de debates e os seminários. Infelizmente, por motivos de saúde, Hélio Dantas não pôde estar presente para dar início aos trabalhos, contextualizando a história do Casarão, que dá nome ao festival, assim como a história de Porto Velho, consequentemente a de Rondônia. Começaram os debates os irmãos Bruno Dias e Cirilo Pereira, com a mediação de Pedro de Luna. O tema: mídia independente. O auditório da Biblioteca Francisco Meirelles estava bem ocupado, mas logo se saberia que a maioria das pessoas estavam ali para pegar as credenciais das bandas. Cabe dizer que haveria o debate sobre a cena rondoniense, mas ficaram ali só as “figuras marcadas” que entre futebol e viagens, vêm conversando a muito tempo sobre isso, faltou “platéia” para render mais o debate.

Então, no dia 01 de maio, FERIADO (dia do trabalhador) houve a rodada mais importante de debates, começando com o “momento atual da música brasileira” com Jomardo Jomas e José Flávio Jr. tratando sobre como está a música brasileira, independente ou não, com foco nos festivais de rock brasileiros. Logo após veio o “mesão” que reuniu os debates sobre a ABRAFIN e o Circuito Fora do Eixo em um só momento. Os dois Pablos, Kossa (Fósforo Cultural) e Capilé (Espaço Cubo), iniciaram a mesa contextualizando o Circuito Fora do Eixo e o que o mesmo trouxe de novo para o cenário brasileiro, como a inserção dos conceitos da economia solidária no mercado da música, a criação de moedas complementares (como o Cubo Card), a circulação de bandas, o conceito do artista igual a pedreiro, pontos de cultura, etc. E vieram Fabrício Nobre (MQN e ABRAFIN) e Lariú (MM Records) tratando da Associação Brasileira de Festivais Independentes, como foi criada, o que está sendo feito em 2008 e o que será feito em 2009, as novas articulações, entre outros assuntos.

Vamos aos fatos:

O pouco quorum, após a entrega das credenciais das bandas no dia 30 de abril é compreensível, afinal era dia de semana, muita gente não vive de rock.

Mas, no dia 1, feriadão, um bom programa seria assistir aos debates. A maioria das pessoas com quem conversei citou que deixaram de participar da rodada por terem compromissos de ensaio com suas respectivas bandas, até aí compreensível, nada mais que natural. Só acho complicado o fato de também a maioria que faltou serem exatamente os que mais questionam os métodos adotados pelo circuito.

Frustração igual tive no Intercâmbio Rock ano passado, lá em Ji-Paraná, quando foram convidados vários agentes ligados a coletivos organizados ou bandas para debater sobre o rock de Rondônia, principalmente à movimentação do interior, onde muita gente se acha “injustiçado” por não ter espaços para tocar, mas não procura se interar o que acontece em cada cidade, para poder abrir a possibilidade de contatos. Só aparecem para reclamar que existe panelinha nas cidades, e entre elas, ou então falam que não apoio à cultura. Típico de quem não quer nada sério e para complicar quer atrapalhar a vida de quem está na batalha, não importando, aqui, a forma de trabalho.
O Festival Casarão deste ano trouxe uma boa oportunidade de debate, infelizmente não foi aproveitada muito bem por quem é daqui. Quem veio de fora, para conhecer in loco a cena rondoniense, levou algumas conclusões para seus pares em suas respectivas cidades. Podem até ser conclusões um pouco fora do que é a realidade local. Mas quem poderia contribuir para um debate mais completo não compareceu.

Acompanhe a parte I também, aqui.
***
PROJETO DE LEI
Música pode voltar a ser incluída na educação básica

Comissão da Câmara aprova por unanimidade Projeto de Lei pela volta da educação musical na educação básica

O Projeto de Lei 2732/2008, que determina a obrigatoriedade do ensino musical na educação básica, foi aprovado hoje, dia 28 de maio, ao meio-dia, por unanimidade pela Comissão da Educação, Cultura e Desporto da Câmara dos Deputados. Para ter valor de lei, falta apenas a votação na Comissão de Constituição de Justiça, o que deve acontecer entre uma semana e 15 dias. A votação foi acompanhada pelo Grupo de Articulação Parlamentar Pró-Música (GAP), que é formado por 86 entidades, como universidades, associações e cooperativas de músicos. O Projeto de Lei é fruto de uma mobilização desse grupo.

O Projeto, originado no Senado sob o número 330/2006, é de autoria de Roseana Sarney (PMDB-MA) e relatoria de Marisa Serrano (PSDB-MT). Contou também com o apoio da Comissão de Educação, através dos senadores Roberto Saturnino, Sérgio Zambiasi, Romeu Tuma, Cristóvam Buarque, Juvêncio da Fonseca e Leonel Pavan. A aprovação no Senado também foi unânime.

O ensino de música nas escolas foi retirado do currículo na década de 1970. Com seu retorno, a idéia não é formar músicos profissionais, mas sim um reconhecimento dos benefícios que esse ensino pode trazer para o desenvolvimento e a sociabilidade das crianças.
Felipe Radicetti, coordenador do GAP – (21) 9923-5404
Cristina Saraiva, coordenadora do GAP – (21) 99831265
Burburinho Cultural – (21) 2233-6879
Mônica Mourão – (21) 8616-0171

Tuesday, April 15, 2008

#71 - Vilhena Rock!!!

VILHENA ROCK
Sessão das Quatro

Neste último fim de semana foi realizada a Sessão das Quatro, na escola Álvares de Azevedo, evento que serviu como abertura para a programação do Festcine Amazônia (itinerante) em Vilhena. Das dez bandas que se interessaram em participar do evento, sete compareceram à reunião para definição de ordem e horários das apresentações, no entanto, no domingo 13 de abril, apenas cinco se apresentaram. Servus e Urbanos foram na reunião, mas não puderam se apresentar na Sessão.


Apoteose HC na Sessão das Quatro: Showzaço!

No domingo (13/04) a decisão de se fazer o evento dentro de uma sala de aula se mostrou inadequada, apesar de ser um pedido dos funcionários da escola e de um vizinho que não anda muito bem de saúde (a propósito, melhoras meu camarada). O espaço se mostrou pequeno e quente demais, temperados por uma bela lua de 42° C (na sombra), mas foi interessante ver as pessoas presentes se manifestarem por melhores condições. Sugestão anotada.

Quem deu início às atividades foi a banda Omega 3, formada por músicos ecléticos, e bons, diga-se de passagem. Em um show basicamente de covers (convincentes) o que mais chamou a atenção foi Girlei, o bailarino da banda, um perfeito showman. A performance dele em “Robocop gay” – dos Mamonas – foi fora de série, como já foi comentado nas rodas de conversa sobre rock aqui da cidade. Falta atuação das bandas, algo mais teatral, e Girlei traz isso se tornando parte essencial da apresentação. As crianças adoraram...

Tio Zeh
, a segunda banda a se apresentar, também mandou apenas covers de Pitty e Vitor & Leo (!). O que deu para sentir foi uma certa insegurança da banda, pelo fato de voltarem à ativa recentemente, mas nada que comprometesse a apresentação.

A terceira apresentação ficou por conta da banda Apoteose HC. E que apresentação, a melhor da tarde, bom saber que temos em Vilhena uma banda assim, hardcore melódico gospel e certeiro. Têm pegada e velocidade, destaque para o baterista Japão e o vocalista Júnior (foto), que terminaram por incendiar a tarde. Showzaço!

Logo após entra em cena a banda Sistema Oposto, de cara mandando um cover da banda Rodox (“De costas pro mar”). Imagine uma roda punk gospel. Imaginou? Foi o que aconteceu na apresentação da SO. A Sistema segue a mesma escola de hardcore da Apoteose, porém é mais cadenciada. O show ainda teve a importância da volta do baterista Kaio (ou a saída dele foi um “golpe de marketing”?). O ponto negativo ficou apenas para os vocais, que quase não dava para ouvir, por problemas técnicos.

A última banda a se apresentar foi a Enmou. Bom, como estava do lado de lá na apresentação, não sei dizer como foi. Aliás, posso dizer que foi divertido, com uma galera revoltada pedindo Raimundos, Planet Hemp, essas coisas. Mais divertido foi o pessoal zoando o cabelo do Keith, mas isso é um assunto que vou abordar lá embaixo. Foi uma apresentação mais punk, com uma guitarra só (Jamir estava viajando) e um set de músicas que foram mandadas uma atrás da outra, exceto quando havia os problemas de chimbais do Kleyton e as lições de moral do quase senhor Keith. Engraçado, a banda que é talvez a mais “punk” da cidade é a mesma que dá sermões, vai entender...

A sensação foi de dever cumprido, agora só falta um retorno da diretoria da escola, quem sabe outros eventos aconteçam por lá. Faz parte dos planos do Coletivo Vilhena Rock, mas depende da vontade e iniciativa também do lado de lá.

É isso.

A cabeleira da discórdia

Keith (d) e seu famoso cabelo

No auge dos meus 26 anos de idade (“enriquecida” por uma calvície gritante) zoar o cabelo do Keith, vocalista da banda que toco (Enmou), pode ser interpretado por muitos como ato de inveja. Mas ultimamente toda vez que ele vai se apresentar tem sempre alguém que diz “Corta o cabelo ou vai tocar pagode”, em referência a protuberante cabeleira.

Pobres meninos, apesar da piada ter graça (depois da 500ª vez dá até para rir) o cabelo do Keith significa muito mais que pode parecer. Ele - juntamente com o Kleyton e Japa (também integrantes da Enmou) - é precursor da afirmação do movimento de consciência negra em Vilhena, dentro da cena rock local. É o tipo de pessoa que não fica se lamentando por causa das condições sociais e econômicas, ele corre atrás e faz a diferença. Não que ele levante bandeira ou faça discursos inflamados, mas a sua postura, dentro da cena rock local afirma por si só. Então gurizada, antes de fazer piada com o cabelo dele, façam o favor de se olharem no espelho, quem sabe percebam a tempo que a piada está em si mesmos e vocês são o motivo dela. Ou então continuem no “visual é tudo, atitude não é nada”.

“Se for assim, melhor você tocar na sua casa”

Foi a frase da noite, sem dúvida. Alguns jovens, após a Sessão das Quatro, foram questionar algumas medidas que foram tomadas durante o evento. Uma delas foi a restrição de bebidas alcoólicas e cigarros na sala onde as bandas tocaram. São medidas que também adotamos no auditório da UNIR, no projeto UNIR Pró Rock.

São medidas “impopulares” que são necessárias, pois saúde e segurança vem em primeiro lugar sempre. Quem quiser “praticar seus vícios” pode sair do ambiente, no caso sala e/ou auditório, e ficar à vontade, sem restrição ou culpa. Estas atitudes são praticadas com a intenção de se conquistar mais espaços para a cena local possa se articular, com precaução para que a primeira impressão seja de movimento cultural e não bagunça, como muitas pessoas insistem em rotular.

Para conquistar esses espaços é necessário fazer certas concessões, que também não afetam tanto assim o “produto final”, que é a divulgação do trabalho de jovens daqui e também de outras partes do mundo. Além do mais, quer espaço melhor do que as escolas para divulgar as bandas e incentivar mais jovens à fazer música?

Pensem nisso.

FORA DO EIXO
Portal Fora do Eixo já está no ar

Portal Fora do Eixo

Já está no ar o Portal Fora do Eixo, o maior site de informações sobre o rock independente nacional. Lá você pode encontrar informações, links para os mais diversos sites e blogs ligados ao circuito fora do eixo (inclusive o Vilhena Rock), além de poder ouvir e assistir a Rádio e a TV Fora do Eixo.

Então, está esperando o que? Acesse: http://www.foradoeixo.org.br/

ABRAFIN
Virada cultural já está chegando

Virada cultural (SP): 26 e 27 de abril


Palco: Festivais Independentes
Local: Pateo do Colégio

O tradicional Pateo do Colégio vai receber um público bem diferente daquele ao qual está acostumado. Por meio de uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura com a Associação Brasileira de Festivais Independentes, 30 bandas vindas de todos os pontos do Brasil irão mostrar, durante a Virada, sua força e criatividade, que extrapolam a música e ganham o status de estilo de vida. Veja a programação:

18h00 - Vítor Araújo (PE)
18h45 - Mundo Livre S.A. (PE)
19h30 - Macaco Bong (MT) *
20h30 - Luísa Mandou um Beijo (RJ)
21h15 - Petro Massa (MG)
22h15 - Estrume’n’tal (MG)
23h00 - Los Porongas (AC)
23h45 - Sick Sick Sinners (PR)
00h30 - Mechanics (GO)
01h30 - Vanguart (MT)
02h15 - Retrofoguetes (BA)
03h00 - Trilöbit (PR)
04h00 - Fóssil (CE)
04h45 - Unidad Imaginária (RJ)
05h00 - Mestre Kuca (TO)
06h30 - Filo Medusa (AC)
07h15 - Boddah Diciro (TO) *
08h15 - Coveiros (RO) *
09h00 - Diego de Moraes (GO)
09h45 - Porcas Borboletas (MG)
10h30 - Linha Dura e DJ Taba (MT)
11h30 - Costa a Costa (CE)
12h15 - Do Amor (RJ) *
13h00 - Rivotrill (PE)
14h00 - Bugs (RN)
14h45 - Supergalo (DF)
15h30 - The Sinks (RN)
16h30 - Superguidis (RS)
17h15 – MQN (GO) *
18h00 - Siba e Fuloresta (PE)

Fonte: http://www.viradacultural.org/

*Bandas que irão tocar no Festival Casarão, de 02 a 04 de maio, em Porto Velho/RO

Friday, March 14, 2008


#68 - Rock Feminino
Festival de Rock Feminino começa nessa sexta-feira

Com uma programação extensa, o "Feminino" vai além das bandas formadas por mulheres, trazendo também o debate "Rock Público". Na sexta feira acontece a noite de abertura, com eventos realizados simultaneamente em dois locais.

Nessa sexta feira tem início em Rio Claro a VI edição do Festival de Rock Feminino, cujo objetivo principal é reunir homens e mulheres no mesmo palco, garantindo, contudo, espaços ao gênero feminino, tão pouco assíduo nos palcos do circuito da música independente nacional.

Além da programação com bandas de Rio Claro, São Carlos, Santos, e estados vizinhos, como Rio de Janeiro e Minas Gerais, o Rock Feminino traz também um debate referente à cadeia produtiva da música, com a participação de vários produtores. Grande parte deles são integrantes do Rock Público, uma lista de discussão que debate viabilidades para o escoamento da produção rocker. O debate acontecerá no salão Nobre da Câmara Municipal de Rio Claro(SP), com entrada franca.
Outra peculiaridade do Rock Feminino são as noites de abertura do festival, que acontecem na sexta feira (14/02), às 23h. Se apresentarão as bandas Folk-se e Vulca – ambas de Rio Claro – no Café Vilhena. Já no Overnight Music & Bar, apresentam-se as bandas Hell Cats(SP) e Vernate (Itirapina). No sábado, o festival terá início às 13h.

Banda Santo Graal (PA) irá se apresentar no festival
Mulheres no comando do rock
*por Marielle Ramires

Festival chega a sua sexta edição mostrando força e garantindo espaços para a diversidade de gênero no cenário da música independente nacional.

Elas não querem espaços exclusivos para mulheres. Longe disso. O Festival de Rock Feminino prima pela integração, quer reunir homens e mulheres no mesmo palco, garantindo, contudo, espaços ao gênero feminino, tão pouco assíduo nos palcos do circuito da música independente nacional.

Fato é que a medida em que ganha notoriedade e passa ser pauta constante de fóruns, veículos de comunicação e outras instâncias sociais, a cena da música independente nacional começa a ser ocupada por mulheres em suas múltiplas funções, seja sob os holofotes, ou por trás dele.

No Brasil, o Festival de Rock Feminino é o principal case no que se refere essa movimentação, por isso o seu prestígio. Trata-se do único festival de São Paulo associado a ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes), é membro ativo do movimento autodenominado Circuito Fora do Eixo, onde integra projetos como o Grito Rock – a versão do GR Rio Claro chegou esse ano à sua 2ª edição - o Compacto.REC, além de ser o maior dedicado ao tema em todo o país.

Em seus seis anos de realização, já fez circular mais de cinqüenta bandas integradas por mulheres. De lá pra cá o número de inscrições só subiu: de 04, registradas em seu primeiro ano, em 2003, saltou para 200 nesta sua sexta edição, o que representa um incremento de quase 5 mil % no número bandas interessadas em tocar no Rock Feminino.

Segundo Vivian Guilherme, produtora do coletivo homônimo realizador, o incremento se deve, principalmente, ao papel de estímulo que o RF exerce no aparecimento de novas bandas integradas por mulheres. "Quando fizemos as primeiras edições do festival, muitos grupos começaram a procurar meninas para compor a formação, e poder com isso participar do festival", relembra. "Foi onde começamos a atingir nossas metas. De qualquer maneira, muitas dessas bandas são covers. Não passam de dez, as que fazem som próprio. Por isso, temos fortalecido cada vez mais nossa proposta de investir só em trabalhos autorias".

A produtora explica ainda que a proposta é promover a integração dos gêneros, não propagar uma política excludente de homens. "As bandas tem que necessariamente ser ocupadas por mulheres, mas pode haver também membros masculinos. A idéia é estabelecer políticas afirmativas para o gênero, estimulando a vinda de novas protagonistas no cenário da música independente e garantindo espaços. Mas longe de querer estimular os 'clubes da luluzinha'", brinca.

Além da resposta positiva das bandas, o público também é um dos fatores que vem garantindo ao Festival de Rock Feminino, proporções cada vez maiores no mercado da música independente nacional. Desde 2003, o evento vem incrementando consideravelmente sua audiência. Em 2007, duas mil pessoas assistiram ao seu único dia de exibição, 1750 a mais que o número computado em sua primeira empreitada.

Por isso a mudança de local de realização. Da Estação Ferroviária de Rio Claro - onde vem sendo realizado desde os seus primórdios – o FRF 2008 acontecerá no Centro Hípico Sobradão, local com capacidade máxima de 8 mil pessoas. "A gente vem percebendo que o público vindo de cidades vizinhas tem crescido a cada ano. Há caravanas que vem de cidades como Piracicaba, Limeira, Ipeúna, e outras. E esse foi um dos fatores de estímulo para a escolha do Sobradão", explica.

Os recursos orçamentários também são termômetros de destaque. De 10 mil, necessários no ano de 2008, 50 mil é o custo total da produção paulista. Na cartela de patrocinadores constam desde pequenas empresas locais, que investirão recursos via Lei de Incentivo a Cultura do Município, até marcas expressivas como a All Track, que escolherá três músicas para entrarem nos mini cds, que serão vendidos ainda este ano junto com as peça de vestuário concebidas pela griffe. Ao todo 50mil cópias serão prensadas.

6ª Edição - O Festival de Rock Feminino acontecerá no dia 15 de março, em Rio Claro. Em seu set list, 14 bandas foram escaladas para o seu cardápio musical, que contará com bandas como a Leela, Pleiades, Scatha, Upset Kids, e outros.

A produção é uma realização do coletivo homônimo da produção, que além do festival, capitaneia outros eventos mensais com vistas ao desenvolvimento do setor.

SERVIÇO

O QUE: Festival de Rock Feminino
QUANDO: Dias 14 e 15 de março
ONDE: Centro Hípico Sobradão – Rio Claro (SP)
MAIS INFORMAÇÕES: http://www.rockfeminino.org/

Fonte: Assessoria/Espaço Cubo
*Marielle Ramires é responsável pela Comunicação do Espaço Cubo
Programação Completa!!!

14/03 Noite de abertura
23h – Overnight Music & Bar
Com as bandas Hell Cats (SP – heavy metal) e Vernate (Itirapina – hardcore).
Entrada R$3.

23h – Café Vilhena
Com as bandas Folk-se (Rio Claro – pop rock) e Vulca (Rio Claro – pop rock).
Entrada mulher R$6 e homem R$8.
15/03 - Festival 2008
13h – Reunião de produtores e bandas no Salão Nobre da Câmara Municipal de Rio Claro. Entrada Franca.

13h - Apresentação das bandas no Centro Hípico Sobradão. Entrada 1 litro de leite + R$5.
Bandas:
LEELA [RJ] - Pop rock
PLEIADES [MG] - heavy metal
SCATHA [RJ] - thrash metal
UPSET KIDS [SP] - hardcore
UNIDADE IMAGINÁRIA [RJ] - pop rock
RAVENLAND [SP] - gothic metal
ALPHA SCORPII [MG] - death metal
EMPÜRIOS [RJ] - heavy metal
ESTAÇÃO 22 [RJ] - pop rock
SURFACE [PR] - hard core
SANTO GRAAL [SP/PA] - metal melódico
ÁSFORA [SP] - rock 'n roll
HY FY [SANTOS] - hard core
PLANO PRÓXIMO [SAO CARLOS] - power pop
SETHY [RIO CLARO] - thrash metal
Saiba mais sobre o Rock Feminino


Tuesday, March 11, 2008


#67 - Festival Casarão Ano IX


CASARÃO

Revelada a programação do Festival Casarão Ano IX

No último domingo foi revelada a programação completa do Festival Casarão Ano IX, na comunidade do Casarão no ORKUT. Como os headliners já eram conhecidos os debates foram focados nas atrações do circuito Fora do Eixo e também nas atrações regionais.

A programação:

02 de maio – Sexta
Local: Kabana’s

22:00 – Cachorro Grande (RS)
21:30 – Mukeka di Rato (ES)
21:00 – Coveiros (RO)
20:30 – Do Amor (RJ)
20:00 – Bicho du Lodo (RO)
19:30 – Mr. Jungle (RR)
19:00 – Underflow (AM)
18:30 – Visitantes (SP)
18:00 – Incinerador (RO)
17:30 – Seletiva de Ji-Paraná ou Vilhena (RO)
17:00 – DHC (RO)

03 de maio – Sábado
Local: Casarão

01:30 – Dead Fish (ES)
01:00 – MQN (GO)
00:30 – Recato (RO)
00:00 – Macaco Bong (MT)
23:00 – Mezatrio (AM)
22:30 – Rádio Ao Vivo (RO)
22:00 – Toa Toa (RJ)
21:30 – Aliases (AM)
21:00 – Boddah Diciro (TO)
20:30 – Sucodinois (RO)
20:00 – Marlton (AC)
19:30 – Hellfire (RO)
19:00 – One Weak (RO)


04 de maio – Domingo
Local: Kabana’s

22:00 – Pitty (BA)
21:30 – Ecos Falsos + Daniel Belleza (SP)
21:00 – Ultimato (RO)
20:30 – Querembas (Bolívia)
20:00 – Hey Hey Hey (RO)
19:30 – Esquerda Volver (PR)
19:00 – Johnny Suxxx n’ Fucking Boys (GO)
18:30 – Seu Miranda (RJ)
18:00 – Miss Jane (RO)
17:30 – Seletiva de Ji-Paraná ou Vilhena (RO)
17:00 – Celula’tiva (RO)


O festival será realizado nos dias 02 a 04 de maio em Porto Velho em dois locais diferentes: no Kabana’s (sexta e domingo) e no tradicional Casarão (sábado). O Casarão é festival filiado à ABRAFIN e também tem o apoio da Petrobrás.

Wednesday, February 27, 2008

#66 - Festival Casarão Ano IX

Lançamento oficial

A nona edição do Festival Casarão foi oficialmente lançada ontem, dia 26 de fevereiro, em coletiva de imprensa realizada no Myioshi Eventos, onde na ocasião foram apresentados o formato do festival, além dos locais e também as primeiras bandas confirmadas para o evento. Para esta edição o festival contará com a presença de 33 bandas de vários estados brasileiros, além de jornalistas e produtores do meio musical independente.

Esta edição gera muita expectativa em razão das atrações confirmadas e também vale dizer que o apoio da Petrobrás trouxe mais visibilidade ainda para o evento.

O festival será realizado dos dias 02 a 04 de maio e, assim como 2007, em dois locais diferentes. Nos dias 02 e 04 de maio, sexta e domingo respectivamente, o festival será realizado na casa de shows Kabanas. No sábado (03/05) o local será o Casarão da Estrada do Santo Antônio, ícone histórico de Rondônia.

Bandas confirmadas e as polêmicas headliners

As bandas headliners, bandas que encerram as noites, foram confirmadas durante a coletiva: Cachorro Grande, Dead Fish e Pitty. Nesta ordem elas encerrarão as noites de sexta, sábado e domingo. Embora nomes festejados do rock nacional a escolha de nomes ligados ao mainstream, bandas que possuem contrato com gravadoras grandes, sempre foram motivos de debate entre os associados da ABRAFIN (O Festival Casarão é um dos associados da Associação Brasileira de Festivais Independentes). Alguns membros associados defendem que nos festivais ligados à associação só devem figurar bandas independentes enquanto outros acreditam que a inserção de atrações já consagradas eleva a visualização dos festivais e contribuem para a circulação (atração) de um público que não costuma ir a eventos com bandas independentes.

O rock independente, é claro, se fará presente e os primeiros nomes divulgados não deixam dúvidas quanto ao nível do festival. A banda Querembas, da Bolívia, é uma banda que tem gerado bastantes expectativas por ser a “ilustre desconhecida do festival”, mas no Youtube você pode encontrar performances da banda.

As outras bandas divulgadas foram MQN, Macaco Bong e Mukeka di Rato. MQN é um dos maiores exponenciais do rock goiano e nacional, cujo vocalista, Fabrício Nobre, é o atual presidente da ABRAFIN. Macaco Bong é uma das apostas do rock independente nacional para 2008, com seu rock instrumental que funde elementos como jazz e hardcore, e já conhecido em terras rondonienses. Mukeka di Rato por sua vez é uma das maiores bandas de hardcore nacionais de todos os tempos, discos como “Gaiola” são clássicos. Como pode se ver, é um festival para todos os gostos.

Edital de Festival de Música

A 9ª edição do festival foi viabilizada através da participação do evento no Edital de Festival de Música realizado pelo Instituto Moreira Salles, um dos mais respeitados do Brasil, e do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet, em que a Petrobras participa como patrocinadora. Assim, o processo de seleção teve duas etapas. Uma de análise de projetos, onde 259 projetos do Brasil inteiro se inscreveram. Após essa etapa, foram divulgados 30 finalistas, que passaram por uma sabatina no Rio de Janeiro, onde depois dessa fase, foram divulgados os 24 projetos contemplados. Dentre eles, o Casarão Ano IX. Sobre a importância do Edital e dos eventos realizados que foi contemplado, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, explanou "Estamos trabalhando para reforçar o papel da música brasileira e de seus criadores na formação de uma identidade plural, híbrida, na qual se articulam o popular, o massivo e o erudito, o próprio e o alheio, o local, o nacional e o global", durante a cerimônia de lançamento, realizada no Palácio da Cultura Gustavo Capanema.

Ciclo de palestras

O ciclo de palestras está marcado para os dias 30 de abril e 1° de maio com a participação de representantes da Petrobrás e também de críticos musicais. Já estão confirmados jornalistas da revista especializada Rolling Stone, do site Senhor F e do Canal Multishow.

Também haverá a palestra, já tradicional, sobre o Casarão, local do evento e ponto histórico de Rondônia. Temas como “Imprensa especializada e a música”, “Petrobrás e a nova cara da música brasileira” estão na pauta dos debates.

Prévias

A 9ª edição do Festival Casarão terá como novidade a realização de prévias para selecionar bandas do interior do estado. Serão realizadas duas seletivas sendo que uma em Ji-Paraná (19/04) e a outra em Vilhena (20/04). Para encerramento das duas seletivas foi confirmada a banda paulista Rock Rocket, além de atrações locais.

As inscrições para as bandas interessadas em participar das seletivas estão abertas até o dia 15 de março. No dia 30 de março serão divulgadas os nomes da bandas que participarão das seletivas em Jipa e em Vilhena. Ao total seis bandas serão selecionadas (três para cada seletiva) para preencherem as vagas do interior no Festival Casarão Ano IX.

Para participar da seletiva a banda deve enviar material autoral (de preferência três músicas em formato mp3), release, foto de divulgação e no campo assunto do e-mail digite o nome da banda e a seletiva de qual pretende participar, ex.: “Banda Enmou – Seletiva de Vilhena”.

E-mail para envio de material: fanrockdiscos@gmail.com
Fonte: Assessoria / Beradeiros

Tuesday, February 26, 2008


#65 – Contra quem lutamos
* Por Raphael Amorim

“Algumas coisas você só aprende tomando no cu!!!”

Por favor, peço desculpas pelo baixo calão, mas, era exatamente assim quem um amigo costumava falar quando se referia as coisas que ele fazia pelos outros, e os mesmo ou reclamavam ou não davam o devido valor ao seu feito.

Desde meus dez para onze anos quando ouvi Ramones pela primeira vez, decidi que era aquilo que eu queria, mas nenhum lugar do disco dizia o que seria necessário pra se fazer aquilo, e olha que parecia tão fácil, 4 acordes, 4 instrumentos e 4 amigos, hum, aparentemente fácil, errado, muito mais difícil do que parece.

O fato é que além de montar uma banda você precisa por ela em prática e isso é o que gera as mais loucas e mirabolantes histórias, ainda mais em lugares pequenos, onde as bandas não têm onde tocar e muitas vezes não tem pra quem tocar, nesse embalo é que essas com pensamentos revolucionários, quase um Che (Guevara), decidem que o lance é a luta armada, ou melhor, empunhar as guitarras (baixos, teclados, microfones e outros) e ir a luta por um espaço mais alternativo e democrático.

Então a idéia está semeada, agora só falta arrecadar apoios, selecionar as bandas e montar uma equipe de interessados, que em alguns lugares demoram a aparecer, quando aparecem, passado essa primeira fase o lance agora é organizar um evento e começar a por quente pra se incluir no cenário local, quiçá nacional, o que não é tão difícil hoje, graças à internet.

Ok, tudo planejado, poucos apoios, já que roqueiro é tudo doido e não é consumidor, não compra, não trabalha, alguns coletivos tem conseguido mudar a maneira como o comércio vê a classe, mesmo com poucos apoios faz-se o evento já que a bilheteria vai ajudar a cobrir os custos, mas espere! Não ligue agora! Nenhuma das sete bandas selecionadas e nem as cinco não selecionadas pro evento são filiadas a Ordem dos Músicos Templários do Tibet, então se for cobrada a entrada o evento será embargado, aparelhagem apreendida, músicos repreendidos e espancados em praça pública, pra mostrar que tem que se andar na linha se não o bicho papão vem e CRÉÉÉÉÉÉUU (na velocidade 5).

Certo, não é bem assim, mas a primeira idéia que se tem é a que será essa, ou os porões da ditadura, então não se pode mais contar com a bilheteria, o que resta e aqueles 30 reais, 15 reais que sobrou do pagode de cada um pra ajudar, então aquele som power já não será mais double soundround, os cartazes terão que ser xerocados, e o evento aberto, certo dos males o menor.

Então, aquela banda que parecia ser a que se destacaria, acaba dois dias antes do evento ou no dia se recusa a tocar devido a pouca qualidade do som, mesmo a banda tendo se apresentado somente uma vez, corre-corre, chama-se outra, ai uma outra que não foi convidada, e por mais que você tente dizer, que foi feito um processo rigoroso de seleção, que foi buscada a diversidade e não a quantidade, e que sete bandas já é muito, e não vai ter como tal banda tocar dessa vez, mas que fique tranqüilo, que no próximo ela estará presente, não vai adiantar nada, afinal sua banda vai tocar, e pouco importa se é você que vai ter tirar grana do seu mísero e suado salário pra resgatar aquela promissória que você assinou pro cara do som, ou se é você quem vai ter ir no fórum explicar por que uma menina que você nunca viu na vida, estava caindo de bêbada e que você só viu na hora que o juizado apareceu, o lance é que a sua banda não é melhor que a dele, e o justo seria a dele participar, e não a sua, você relutante tentar achar motivos pra explicar, mas acaba não dando idéia, e essa figura que deveria dizer “Tudo bem !! No próximo a gente bota pra quebrar!! Cês tão precisando de ajuda ou algo assim??”, mas não nunca dizem.

O evento acontece, cheio de imprevistos, faltando mais coisas do que sobrando, muitos falam mal, outros falam bem, mas estavam todos lá pulando, cantando, suando e esperando o outro dia pra dizer que foi uma “merda”, mas você se acostuma, mesmo pensando “eu nunca mais faço isso de novo, esse povo que se foda!”, e dois meses depois você está lá de novo discutindo com o guitarrista de tal banda por eles não vão tocar dessa vez, e a outra banda vai...

... e é como eu sempre digo , eu faço o que faço por que gosto, por que nada paga a galera cantando e pulando enquanto uma banda boa (de verdade) está tocando, mesmo com as adversidades o rock sempre vai ser assim, pelo menos fora dos grandes eixos e é daí que os talentos emergem, não só em bandas, mas em organização, companheirismos e respeito.

Raphael Amorim é guitarrista e vocalista da banda Di Marco e um dos agentes do Interior Alternativo.

*Dedicado aos camaradas dos coletivos de RO, Beradeiros e Vilhena Rock

***

A OMB É LEGAL?
COMUNICADO DA OMB

Vilhena, 26 de fevereiro de 2008.

Comunicamos que nesta sexta feira 29/02/2008, a partir das 19:30 horas na sede da O.M.B. localizada na Avenida Capitão Castro, n° 3310 – Centro, será realizada uma reunião com os músicos que tenham interesse em regularizar a sua situação.

Nesta reunião serão apresentadas as propostas da O.M.B. e os esclarecimentos das dúvidas, além da ampliação do parcelamento para que se possa tirar a carteira.

Sem mais,

Atenciosamente.

Ronis Salustiano da Silva
Delegado Regional
OMB 558/RO


Este comunicado foi recebido hoje pela manhã na Prefeitura de Vilhena e o convite é para todos os músicos locais que tiverem interesse em tirar suas dúvidas, questionar seus direitos e debater sobre a OMB em Vilhena.

Não fomos informados sobre a presença do presidente do conselho em Rondônia. De qualquer forma é de essencial importância a participação de todos os músicos que forem contra, a favor e quem tem dúvidas sobre a cobrança da carteira da ordem dos músicos em Vilhena. O debate saudável é a melhor solução.

Coletivo Vilhena Rock

***
LITERATURA
LEI DO LIVRO: CADÊ O LEITOR?
* Por Geraldo Maia
Podemos afirmar com uma grande margem de acerto que a indústria editorial no Brasil (e na Bahia) vai muito bem, obrigado. E não é para menos. Afinal, no ano de 2003, foi promulgada a Lei 10.573, a charmosa Lei do Livro, que acabou com os impostos relativos à produção do livro no país a fim de baratear o seu custo e de criar um Fundo de Incentivo à Leitura através de 1% do faturamento das editoras. Claro que a idéia, aparentemente, é ótima, pois o menor preço do livro acarretaria um maior acesso ao mesmo com um conseqüente número bem maior de consumidores.
Tudo muito belo. Mas na prática tal não acontece. Nem o preço do livro baixou, nem o acesso ao livro aumentou, nem as editoras contribuem para o tal Fundo de Incentivo à Leitura. E o que acontece mesmo? Bem, o mercado do livro no Brasil fatura anualmente cerca de três bilhões de dólares, mas só o Ministério da Educação compra algo em torno de 70% do que é vendido, quase tudo livro didático (e para-didático), quase nada de literatura e nada, nada mesmo de poesia. E se for literatura e poesia negra e/ou indígena aí o bicho pega, nadíssimo de nada.
Resultado: milhares de livros são distribuídos nas escolas, mas pouquíssimos alunos sabem ler ou interpretar o que leram. O que poderia mudar essa realidade, a presença da literatura e da poesia em sala de aula, não existe. Nem contadores de histórias, nem cordelistas, rappers, emboladores, fazem parte da cabeça dos professores, do conteúdo das jornadas pedagógicas, do currículo das escolas. Ano após ano nada se discute para por em prática a formação de leitores através mesmo de uma simples leitura em sala de aula como atividade obrigatória em todas as disciplinas.
Apesar de que a cada dia serem descobertas novas experiências de sucesso com o uso da leitura e releitura em sala de aula no tocante à diminuição da repetência e da evasão em matérias como matemática e química onde a leitura é sempre vista como algo obrigatório, difícil, chato e distante.
Por tudo isso, no Brasil, nenhum escritor consegue viver do seu trabalho, quase sempre obrigado a buscar a sobrevivência em outras atividades como tradução, palestras, oficinas, cursos, etc. A Lei do Livro foi aprovada, mas as editoras nada fazem para apoiar bibliotecas e programas de leitura quando nada com a doação de títulos que possibilitem a atualização de acervos e a dinamização do espaço para além de um mero depósito de livros velhos, mas como autêntica usina de apoio à criação de múltiplos saberes, fazeres e leituras do mundo.
E muito menos as editoras trabalham em contrapartida aos benefícios da Lei, no sentido de fazer com que os escritores e poetas possam pelo menos sonhar em viver do que fazem. Nem no de capacitar professores para que possam levar a literatura e a poesia para a sala e aula como prática principal para a formação de novos leitores com capacidade de pensar criticamente o conteúdo dos livros. Claro que isso é perigoso para a manutenção do estabelecido. No mínimo os editores devem ficar com medo de que a literatura e a poesia venham atrapalhar as polpudas vendas dos valiosos e insípidos "didáticos" e de alguns "para-didáticos".
e é burrice ou má fé ainda não se pode afirmar, mas afinal, para que serve a Lei do Livro? Para estimular a compreensão da leitura ou a usura dos editores? Onde anda o Fundo de Incentivo à Leitura, no fundo do poço da ganância ou na inoperância da Lei? O que sei é que 95,5% dos alunos na quinta série do ensino fundamental não consegue compreender um pouco do que leu. No ensino médio, 67% dos alunos não compreende os textos do seu nível se escolaridade. E 57% dos alunos em onze anos de aprendizado não consegue compreender nada do que lê ao sair das escolas. No nível superior não é muito diferente, pouquíssimos entendem o que lêem.
Podemos concluir então que talvez seja oportuno criarmos uma Lei da Leitura (mais uma) já que até agora a do livro beneficiou apenas a ganância e a usura das editoras. Porque produzir livros está provado que sabemos faze-lo e bem. E mal ou bem velhos e novos escritores e poetas quixotescamente garantem a sobrevivência da literatura e da poesia. Mas a formação de leitores ainda não passa pela cabeça da maioria das pessoas. Quase todos acham que basta alfabetizar e comprar livros que todo mundo vai correr para as estantes e começar a leitura. Não percebem que formar leitores é um processo lento com início antes mesmo da fecundação (fase individual), durante o período embrionário (fase conjugal) e até por volta dos dez anos de idade (fase familiar). Em qualquer tempo é responsabilidade preponderante dos pais coadjuvados pelo estado (fase regional) na forma de professores, mestres, agentes de leitura, círculos de leitura, caravanas de leitura, caminhos de leitura a serem percorridos na fase nacional com livros, bibliotecas, escritores, contadores de histórias, arte-educadores, brincantes, facilitadores e mestres da leitura oral, escrita, visual, corporal, cênica e tecnológica em redes de rodas eletrônicas de leitura bandalargadas (fase internacional/cósmica).

Geraldo Maia é poeta na Praça (BA), Escritor nas Ruas e Doutor Honoris Causa no breu das Coisas

***

AGENDA
Confirmadas as datas do Festival Fora do Eixo

Será realizado entre os dias 18 e 25 de abril a segunda edição do Festival Fora do Eixo, que em 2007 levou a sete casas de shows paulistanas dezenove bandas dos mais diversos estados FE do país. Conforme Pablo Capilé, do Cubo Planejamento, detalhes sobre o projeto estão sendo debatidos pelos produtores do circuito, que definirão o formato da produção deste ano. O bacana é que o festival acontecerá uma semana antes da Virada Cultural em SP, o que dias intensos de mostra da produção fonográfica independente atual. As bandas interessadas em fazer inscrições devem enviar três mp3’s, mais fotos e release para o e-mail festivalforadoeixo@gmail.com.

***

AGENDA 2
Virada Cultural promove parceria com a ABRAFIN

A Virada Cultural, já tradicional em São Paulo, contará com um palco coordenado pela Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN). O evento será realizado nos dias 26 e 27 de abril, com 24 horas ininterruptas de ações culturais espalhadas pela grande São Paulo.

As atrações foram selecionadas pelos associados e entre os nomes que irão passar no palco da Abrafin estão MQN (GO), Boddah Diciro (TO), Mechanics (GO), Mundo Livre S/A (PE), Fóssil (CE) e Coveiros (RO).

Tuesday, February 19, 2008

#63 - Bola rola, mundo gira...

Calouro é o Bixo!!!
Quarta feira no saguão principal da Universidade Federal de Rondônia – Campus de Vilhena será realizada uma atividade musical com os novos acadêmicos da UNIR local. Participação de músicos de bandas locais fazendo sessões acústicas. Não percam.
Voz, violão e calourada = diversão.
***
FESTIVAL
Villa Rock

Vilhena conta agora com um novo festival de rock: o Villa Rock de Vilhena. Em fase de produção o evento será realizado em julho pela Escola de Música Villa Lobos. O objetivo do festival é divulgar os novos talentos da música local e regional e também abrir espaço para as bandas mais experientes. O evento será dividido em duas partes: na primeira metade tocarão as bandas de rock gospel e na segunda tocarão bandas de outros estilos.

Quem quiser saber mais informações é só procurar a Escola de Música Villa Lobos, na Av. Capitão Castro, próximo a Nutri Plantas.
***
A OMB É LEGAL?
Músicos debatem exigência da OMB
* Publicado por Mário Quevedo

Os artistas se reúnem na próxima quarta-feira (20/02) - amanhã - para entrar com medida questionando cobranças de taxas da Ordem dos Músicos do Brasil. A iniciativa de reunir a categoria é de Valdir Alberto, músico e apresentador de TV. Ele afirma que em vários estados do país a classe já conseguiu derrubar a cobrança.

A reunião será realizada na sede da Associação de Moradores do Setor 06 - localizada próximo à Móveis Gazin da Av. Paraná -, com início previsto para 18 horas. Mais informações pelo telefone 9971-4319

Fonte: http://www.extraderondonia.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=356
***
ARTISTA VILHENENSE
Tavinho do violão lança CD novo
* Publicado por Mário Quevedo

É o quarto trabalho deste artista vilhenense que reside há 21 anos na cidade. O disco conta só com músicas de autoria, mesclando gaúcho e sertanejo. Otávio Lucietto já tem produção para lançar seu 5° trabalho. “Mas preciso vender um pouco deste cd para levantar o dinheiro suficiente a fim de bancar a produção”, explica.

Tavinho do Violão vende seus discos pessoalmente, de porta em porta, além de se apresentar em bailões e em festas.

Fonte: http://www.extraderondonia.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=263
***
ABRAFIN
Tem festival, mas também dúvidas

Saiu ontem e já mexe com a cabeça de milhares de jovens em busca de um sonho: ser revelado num palco de um grande evento. Anualmente, a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) publica o calendário com as datas de seus festivais afiliados. A lista de 2008 tem 30 mostras de pequeno ou médio porte e servem como trampolim de lançamento de novos artistas. Para poder integrar a Abrafin, é preciso ter não mais do que 30% da programação formada por bandas consideradas grandes, como O Rappa, Biquini Cavadão, Sepultura e Skank, por exemplo. Mas, ainda que exista uma profusão de grupos do novo pop rock, como o carioca Manacá, o brasiliense Móveis Coloniais de Acaju e o cuiabano Vanguart, em muitos casos são esses nomes já manjados que garantem bons públicos para os eventos. "As bandas que artisticamente nos interessam já vieram para o festival pelo menos duas vezes. Houve o pop rock dos anos 80 e o dos 90, com bandas que cresceram e ficaram conhecidas. A década de 00 já vai terminar. Se alguma coisa expressiva tivesse que acontecer já teria acontecido" - sentencia Paulo André, produtor do festival recifense Abril Pro Rock, que completa 16 edições neste ano e pretende confirmar as bandas de metal Helloween e Gamma Ray como principais atrações. "Para uma banda poder ser considerada um estouro nacional, ela tem que ser conhecida no Nordeste. Se não for, é apenas um sucesso regional".

Jomardo Jomas, idealizador do Mada, de Natal, completa agora 10 anos lidando com problema semelhante para confirmar atrações de apelo popular que possam garantir o sucesso de seu evento.

"Em relação ao mercado mainstream, houve uma quebra que foi geral. As bandas que eram grandes há alguns anos continuam sendo as mesmas. Desde 2001, não tivemos uma banda que chegasse ao topo. Se você quiser colocar uma grande atração para conseguir público fica sem opções" explica Jomas, que investiu em 2004 na banda nova-iorquina The Walkmen, sucesso de crítica, mas fracasso de público.

Pablo Capilé, que produz os festivais cuiabanos Calango e Grito Rock, não adota a mesma estratégia de seus companheiros de Abrafin.

Pablo Capilé, que produz os festivais cuiabanos Calango e Grito Rock, não adota a mesma estratégia de seus companheiros de Abrafin. "Em todas as edições nunca colocamos um headliner de uma grande gravadora. Na tentativa de consolidar o mercado médio, só investimos em bandas como Móveis Coloniais do Acaju, Vanguart e Forgotten Boys. A mídia especializada acaba cobrindo só as bandas mais conhecidas. As fórmulas do Mada e do Porão do Rock (festival de Brasília) não são aplicadas por mim" conta Capilé.

Pequeno ou médio? Depende...

Das 13 edições do Goiânia Noise, quatro foram realizadas com apoio da lei de incentivo à cultura do estado e três com a do município. A edição do ano passado foi feita com verba de edital da Petrobras. Mesmo sendo um festival independente, o evento depende de empresas para saber qual será seu tamanha a cada ano. "A gente quer se concentrar num formato. No festival tocam bandas de Goiás e grupos novíssimos que nunca vieram aqui (sobre o Bananada). Já o Goiânia Noise é composto por entre três e seis atrações internacionais de pequeno e médio porte e os grandes destaques do ano no Brasil" - diz Fabrício Nobre, produtor goiano de dois dos maiores festivais de seu estado.
Nobre enumera com facilidade as vantagens do calendário divulgado pela Abrafin: "Conseguimos fazer parcerias para dividir custos, fica mais fácil ter a imprensa em todos, não divide público. A grande dificuldade é conseguir patrocínio. Mesmo com as leis de incentivo fiscal e o apoio de empresas como Petrobras e Tim, ainda falta muito".

"Queremos ter mais facilidades com relação à Lei Rouanet e adequá-la para facilitar o circuito de festivais" antecipa Jomas.

"Do orçamento do Calango, 40% são de passagem aérea. Tudo ainda é muito distante e as passagens são caras" completa Capilé.

O carioca Rodrigo Lariú, que produz o Evidente (estréia em março), também se queixa da dificuldade de conseguir apoio, mas tem outra reclamação."É difícil fazer com que o público no Rio se interesse por bandas novas".

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/editorias/cultura/papel/2008/02/15/cultura20080215011.html

Thursday, January 24, 2008

#55 - A Música Fora do Eixo
Blog do Pedro Alexandre Sanches / Carta Capital – Especial
* Texto de 2005

Novas tecnologias turbinam um imenso mercado informal à margem do império das gravadoras e da mídia. Um caldeirão cultural que mistura tradição e futurismo.


Quem pensa que conhece bem a música brasileira precisa reavaliar suas certezas neste início de século XXI. Basta deixar de lado por um momento o que está nas lojas, no rádio e na tevê e ouvir um pouco dos sons e das histórias vindas das periferias (geográficas e econômicas) do Brasil para perceber que algo novo está em curso.

Os novos paradigmas parecem se concentrar e se encontrar todos no extremo norte do País, na pujante cena musical de Belém do Pará. Assim o antropólogo Hermano Vianna descreveu o ambiente das "festas de aparelhagem" que forjaram o gênero "tecnobrega", uma convergência mestiça de ritmos brasileiros e caribenhos, música tradicional, "cafona" e eletrônica, romantismo de Roberto Carlos e tecnologia de DJs: "Quando as novidades são apresentadas, os fãs-clubes das aparelhagens vão ao delírio, com braços para cima, como se estivessem saudando a aparição de uma divindade, o totem da tribo eletrônica da periferia de Belém".

É a periferia da periferia que se move ali. Todo um mercado informal se desenvolve sem freios a partir dos bailes de aparelhagem, de artistas pobres que manipulam música em computadores caseiros e de camelôs que espalham a caudalosa produção em CDs de MP3 em que cabem centenas de músicas.
Cenas semelhantes se reproduzem nas periferias de cada Estado. Nas ruas de Salvador (BA), meninos pobres vendem, por R$ 5 cada, discos de rap, música eletrônica, percussão afrobaiana e canções infantis fabricados por eles próprios num projeto coletivo chamado Eletrocooperativa.

Com sede no Pelourinho, a instituição é um projeto artístico-educacional: para aprender a manipular tecnologia, usar computadores e produzir música, 50 dos 307 jovens atualmente atendidos ganham carteira assinada, vale-transporte e alimentação, cesta básica etc. O único pré-requisito é estar cursando ou ter concluído o segundo grau.

Em Cuiabá (MT), 12 jovens cidadãos se uniram na criação do Espaço Cubo, uma central autônoma que organiza, entre outros empreendimentos, a cooperativa de músicos Volume, o selo Cubo Discos, os festivais de música Calango e Grito Rock, o Estúdio Cubo de gravações e ensaios, a Agência Cubo de Bandas e ações educativas diretas em escolas públicas locais.

Durante a edição mais recente do festival Goiânia Noise, em dezembro passado, a capital de Goiás testemunhou não apenas shows de rock pesado, mas também a fundação da Associação Brasileira dos Festivais Independentes (Abrafin), congregando produtores de festivais de estilos musicais diversos de vários Estados periféricos do País.

Na mesma ocasião, foram lançadas também as diretrizes de criação do Circuito Fora do Eixo, com portal na Internet, programas de rádio, distribuidora de discos etc. Nas palavras de um dos participantes, Pablo Capilé (que também integra o Espaço Cubo), "englobará os estados historicamente alijados das benesses estruturais do eixo Rio-São Paulo, incluindo, no primeiro momento, Acre, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe".
Também em dezembro, acontecia em Salvador a sexta edição do Mercado Cultural da Bahia, misto de feira cultural e festival cuja parte musical agrupou dezenas de artistas dos mais diversos estados do País (inclusive Rio e São Paulo), da América Latina e até da Escandinávia. Todos pertencem às delimitações habituais da dita música de qualidade. Nenhum deles porta vínculos com as outrora hegemônicas gravadoras multinacionais.

São apenas algumas das inúmeras demonstrações de que um outro Brasil musical se desenrola para além dos limites habitualmente cobertos pela mídia que orbita no eixo Rio-SP. Esse outro Brasil é em tudo diferente do cenário pintado nos últimos anos pelas grandes gravadoras de discos, que repetidas vezes previram "a morte da música", caso não fossem contidos o avanço da pirataria e os usos e abusos da tecnologia. Enquanto assim se posicionavam, a música contornava previsões e ameaças para se fazer mais viva que nunca, em cada canto do País.

A informalidade ainda é uma das marcas de fogo do novo momento, mas parece já ficar para trás o embate simbólico que caracterizou a fase anterior, de gravadoras e músicos "honestos" de um lado, piratas "criminosos" de outro. É uma das características da cena paraense, segundo Vladimir Cunha, que prepara o documentário Brega S/A, em busca de destrinchar as transformações por que passa a cadeia produtiva local de música.

"Nem se pode falar em pirataria, porque não há ninguém ali recolhendo imposto ou direito autoral. É um marcado informal, efêmero, sem regras. Os artistas são muito pobres, mas com R$ 50 gravam uma música. A maioria das pessoas nem vive de música: trabalha no comércio de dia e canta à noite. Transitam entre o estrelato e a pobreza", avalia.

Cunha segue a rota informal do sucesso: "Belém é isolada do Brasil, mas fez uma relação forte com a tecnologia. O tecnobrega é todo digital, não existem mais gravadoras nem estúdios. É tudo feito no fundo do quintal. O atravessador do pirata passa de casa apanhando os MP3 que o camelô vai vender. Se a música ficar popular no camelô, será tocada no baile e renderá mais shows para o artista. Na festa, ele manda abraço para a galera do bairro, o show é gravado na hora e na saída já está à venda. O cara compra porque foi citado".

Caem em desuso esquemas tradicionais de jabaculê (o suborno entre gravadoras e mídia que infla artificialmente a execução radiofônica e televisiva de "sucessos" populares), segundo ele. "O camelô não cobra jabá, na aparelhagem não se paga para tocar. Não interessa para eles se o Zezé di Camargo está perdendo dinheiro, porque não se trata de pirataria”.

A informalidade avança e toca no sistema oficial: o produtor Beto Metralha, residente do bairro periférico de Jurunas, é um dos que gravam sozinhos, em esquema 100% caseiro, programas de rádio e tevê que divulgarão o tecnobrega nas repetidoras locais de estações nacionais como a Rede TV! e mesmo a Cultura, antes refratária à música que não corresponde a padrões estabelecidos de qualidade.

Dessa mesma cena brotou o grupo que é o atual recordista em shows e discos vendidos (5 milhões, em seis anos de existência) e, por isso, furou a própria invisibilidade na mídia e já passeia com desenvoltura pelos programas dominicais da tevê aberta nacional. A Banda Calypso abandonou a informalidade e desfruta de estrutura profissional, com produtora e gravadora próprias, sediadas em Recife (PE).

A imagem de informalidade e independência que há anos floresce nos morros do Rio (com o funk carioca) e na periferia paulistana (o hip hop) apresenta Belém como um terceiro pólo, mas se esparrama pelo País, com o forró amazonense e cearense, o lambadão mato-grossense, a tchê music gaúcha, o arrocha baiano e assim por diante. Todas agregam uso universal da tecnologia com saberes musicais locais e formam uma rede espontânea que circula de periferia em periferia.

Se nessas cenas ainda prevalecem a informalidade e os subempregos, o processo de profissionalização também se acelera Brasil afora.

É o que ocorre na Eletrocooperativa baiana, que lançou no final do ano uma série de CDs autoproduzidos pelos alunos, dispersos entre hip hop com acento local (Afrogueto, Império Negro) e ritmos locais entremeados com recursos eletrônicos (os discos Caçuá Eletrônico, Eletropercusiva e O Folclore – A Alma dos Povos), entre outras fusões.O CD coletivo Eletro Erê, por exemplo, reveste cantigas de roda como Boi da Cara Preta e Se Essa Rua Fosse Minha com percussão baiana e rap. "A intenção é tirar um pouco a sexualidade de pauta da criançada. O universo lúdico está esquecido nas festas infantis, é só boquinha de garrafa, festa no apê", justifica o baiano Reinaldo Pamponet, um dos criadores da Eletrocooperativa.

Uma das âncoras do projeto é o apoio psicológico aos jovens ali atendidos. "Ensinamos música e tratamos de temas transversais como drogas, violência, sexualidade, paternidade responsável, o valor do dinheiro, cidadania. A idéia é que, quando chegarem ao mercado de trabalho, eles tenham vivido sempre no coletivo. Alguns reagem ao acompanhamento psicológico, dizem 'eu não sou maluco', mas quem quiser continuar vai ter que se analisar, sim”.

Outra experiência de organização é a do Espaço Cubo, de Cuiabá, que chega à sofisticação de ter cunhado uma moeda própria, o Cubo Card. Pablo Capilé explica: "É um sistema de créditos que auxilia na profissionalização dos artistas e nas inter-relações entre o instituto e a classe, uma moeda de troca de prestação de serviços. Por exemplo, a banda toca em uma produção da Cubo Eventos e recebe 300 Cubo Cards. Cada um equivale a R$ 1,50, e ela pode trocar esses créditos por ensaios, gravações, assessoria de imprensa, locação de equipamentos etc.”.

O grupo parece se profissionalizar e se politizar ao mesmo tempo, mantendo contato constante com poderes locais e federal. "É nossa obrigação nos organizarmos. A verba para cultura é de todos e para todos. Temos que acabar com os 'carlismos', 'caetanismos' e 'barretismos' a que somos submetidos. Não podemos ficar só apresentando projetos e esperando a aprovação, temos que nos mobilizar", discursa Capilé.

Caso equivalente é o dos produtores de festivais Brasil afora que passaram a se reunir e a se organizar em classe, sobrepujando até questões estéticas e de rivalidade entre subgêneros musicais.

Os associados de primeira hora vêm de festivais de rock pauleira a música eletrônica. Vão da surf music do Primeiro Campeonato Mineiro de Surf ao evento de discussões conceituais e tecnológicas Porto Livre, do grupo pernambucano que coordena desde 1993 o Abril pro Rock. Passam por Natal (Festival do Sol), Uberlândia (Jambolada), Brasília (Senhor Festival) etc.

"Percebemos que era preciso encontrar um jeito de nos fortalecer em conjunto, em vez de ficar chorando as pitangas uns para os outros", sintetiza um dos pilotos da Abrafin, Fabrício Nobre, dos festivais goianos de rock Bananada e Goiânia Noise e da gravadora independente Monstro.

Após revelar a cena mangue bit pernambucana e vários outros brasis para o Brasil, o Abril pro Rock vai um passo além na profissionalização e luta por se internacionalizar. Seu organizador, Paulo André Pires, se desdobra também no agenciamento internacional de carreiras artísticas como as da Nação Zumbi e do DJ Dolores. "É difícil sobreviver somente aqui, ouvindo patrocinador pedir para incluir o Capital Inicial. Não investimos em trazer atriz e ator da Globo para dar pinta, se estivéssemos nessa de dinheiro já teríamos saído fora há muito tempo", justifica Pires.

Outro formato que se divide entre dialogar com a terra natal e com mercados exteriores também periféricos é o Mercado Cultural da Bahia, definido pelo diretor Ruy Cezar como uma iniciativa para fomentar um mercado de música de qualidade, algo "que a grande indústria não promove" – e que nessa sexta edição reuniu 600 artistas e 800 especialistas de cultura de vários países.

O curador musical é Benjamin Taubkin, que vem de outra iniciativa descentralizadora, a do projeto Rumos, do Itaú Cultural. Uma das chaves do projeto, segundo ele, se concentra nos debates, para os quais procura adotar o seguinte norte: "A gente não faz seminário de lamentação. Tem problemas? OK, como é que se contornam os problemas? Um péssimo vício nosso é essa idéia de que precisamos salvar o Brasil, mas quem salva sou eu, não você. Uma andorinha não faz verão, a cultura se modifica por vários”.

"Achei que o papel fosse buscar a diversidade musical das várias regiões do Brasil. O que queremos é que cada trabalho selecionado tenha ligação com sua origem. Pode ser rock, rap ou música eletrônica, desde que tenha um pé na sua região", completa Taubkin, ele próprio ancorado na tradição da música instrumental.

De tal conceituação surge um festival que, embora mais dedicado à comunidade cultural que ao público consumidor, estabelece parâmetros aos quais o Brasil só agora começa a se acostumar. Na volumosa programação, convivem pacificamente gêneros e artistas os mais diversos. Eis alguns exemplos díspares, testemunhados em dezembro por Carta Capital: O poeta, cordelista, repentista e cantador Bule Bule, de Feira de Santana (BA), apresentava seu samba de roda mais rural que urbano, sem entrar em contradição com o discurso sócio-político do grupo de hip hop Faces do Subúrbio, de Recife (PE). O Trio Manari, do Pará, extraía jazz e sambão de reco-recos indígenas gigantes, enquanto os rapazes do Naurêa despejavam em ritmo de "forrock" os lemas "como é bom ser brasileiro" e "como é bom ser sergipano”.

No Teatro Castro Alves, Vitor Ramil evocava a melancolia, o frio e as milongas do Rio Grande do Sul; em praça aberta, o grupo Lado 2 Estéreo, do Piauí, exibia um híbrido de drum’n’bass, "samba black power" e rock militante anti-discriminação racial e social. No palco, Josh, do Lado B Estéreo, provocava os anfitriões: "Mandaram eu colocar a camiseta de volta, porque aqui é a Bahia. Tirei porque lembrei que aqui é a terra de Carla Perez”.

Josh tenta resumir o ambiente em que virou artista: "Teresina é uma cidade que vive sob o padrão Globo de sucesso. Não fazemos parte de nenhuma cena que temos que seguir. Uma vantagem que no início era dificuldade é a gente ser de uma cidade improvável. É um estranhamento”. O Brasil musical que resulta dessas tantas imagens díspares é complexo, diversificado e em nada uniforme como faziam supor, ao longo dos anos 90, gravadoras e mídia. Dilui monoculturas como as de axé music, pagode urbano e canção sertaneja, assimilando-as e as revestindo de diversidade que antes não possuíam.

No pólo Norte, por exemplo, Daniel Zen, organizador do festival Varadouro, manda notícias sobre a nova música do Acre: "A contradição/fusão entre urbano e florestal, típica das cidades amazônicas, constitui a poética de boa parte das bandas daqui, o que demonstra uma identidade local, que reúne essa contradição urbana/florestal".

No pólo Sul, Marcelo Domingues, do DemoSul, dá informações diversas, mas semelhantes, sobre Londrina (PR): "Hoje, há cerca de 80 bandas em atividade na cidade, variando entre o rock, o pop e a MPB. São lançados de 15 a 20 CDs por ano, alguns pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura e outros por iniciativa independente de selos como Lab Records, que era direcionado apenas a punk e hardcore e agora começará a lançar outros estilos".

De volta ao Pará, Vladimir Cunha ensaia a síntese entre tantas possibilidades díspares, defendendo ao mesmo tempo a qualidade popular do tecnobrega e novos diferenciais estabelecidos por bandas de rock como La Pupuña e Suzana Flag, que adotaram o português e as referências musicais locais lado a lado com fascínio "universal" pelo pop-rock anglo-americano.

"São alunos de música e chamam artistas do tecnobrega para tocar com eles, chancelando-os não mais como paródia. São formados em música e se aproximam da periferia para começar a entender o lugar em que vivem", afirma, consciente de que Belém não quer ser Londres, Hollywood, a Rede Globo ou São Paulo. Belém quer ser Belém – e isso talvez comece a se estender a cada cidade do Brasil.
NA ERA DAS GRAVADORAS DE ESQUINA
"A indústria fonográfica tradicional perdeu conexão com o gosto popular", avalia o antropólogo Hermano Vianna.
Uma das figuras estratégicas no acompanhamento da descentralização que vive a música brasileira é o antropólogo Hermano Vianna, que co-dirigiu com o produtor Beto Villares o projeto Música do Brasil, uma espécie de atualização das expedições de Mário de Andrade (1893-1945) rumo às musicalidades do Brasil profundo.Vianna cultiva ramificações íntimas com a cultura oficial: é próximo tanto de Caetano Veloso, quanto da Globo, quanto do ultracomercial Tim Festival, quanto do Ministério da Cultura de Gilberto Gil. Mas também atua como um ideólogo do outro lado da moeda, como mostra na entrevista a seguir.

CartaCapital: A música do Brasil não precisa mais de gravadora, tevê em rede nacional, rádio, jornal e revista?
Hermano Vianna: A música mais popular no Brasil não precisa mais de nada disso. O pessoal se cansou de esperar oportunidade, de reclamar da falta de espaço e atenção das gravadoras. Partiram para a ação, aproveitando o desenvolvimento tecnológico que tornou fácil e barato que qualquer banda produza seus discos. Onde há um computador com gravador de CD, há uma gravadora. Então, há gravadoras em praticamente todas as favelas brasileiras. Quase todas as favelas agora têm lan houses, já reparou?

O sucesso da Banda Calypso não foi produzido por gravadoras, e só quando já haviam sido vendidos milhões de CDs nos camelódromos as rádios e tevês passaram a tocar. Todas as bandas do forró eletrônico cearense já produziram DVDs, inventando uma nova indústria audiovisual que não depende de Lei Rouanet, mas abastece os bares de periferia. O lambadão cuiabano e a tchê music gaúcha inventaram suas economias paralelas, que só são paralelas do ponto de vista da grande mídia.

Quando leio as estatísticas de queda da indústria fonográfica, fico surpreso. Todas essas bandas fora da indústria vendem muito, os shows estão lotados por multidões, mesmo nas regiões mais pobres. Foi a indústria fonográfica tradicional que perdeu conexão com o gosto popular. Nos camelôs de Belém, toda semana há lançamentos novos de tecnobrega, com as músicas que estouraram no último domingo nas festas da periferia paraense. A indústria fonográfica não tem essa agilidade.

CC: A música brasileira vive um processo de descentralização?
HV: A descentralização é inegável. Não aconteceu por projeto político, até porque a maior parte dos movimentos políticos "conscientes" despreza essas músicas, condenando-as como alienadas ou lixo cultural. Mas aconteceu, em todos os lugares ao mesmo tempo. As gravadoras lançam quantos artistas por ano? E quanta gente faz música pelo Brasil? É uma multidão que fica de fora. A multidão resolveu lançar seus discos. Não é mais um movimento centralizado no Rio e em São Paulo. Cada cena desenvolveu modelos diferentes, adaptados à realidade local. São maneiras experimentais de produzir, divulgar e ganhar dinheiro com música. E as periferias se comunicam entre elas, sem depender de Rio e São Paulo. Já há uma rede nacional de comunicação paralela, que não é mais centralizada.

CC: Onde você colocaria, nesse tabuleiro, a produção musical dita intelectualizada?HV: Acho que é mais dependente do esquema antigo. Ainda fica esperando que uma grande gravadora venha salvá-la. Acreditamos que a música boa é produzida por artistas geniais, por criadores privilegiados, não é? Eles são admirados como pessoas superiores. Suas criações devem ser protegidas e perpetuadas como se fossem de vidro frágil, como se tudo conspirasse contra elas. Essa concepção de arte é recente, apareceu com o Romantismo europeu. Antes música era uma produção coletiva, sem "autores" e "direitos autorais". Isso continua a acontecer na maior parte das festas populares brasileiras. As pessoas ali têm uma relação diferente com a música: tudo é brincadeira de todos. Ninguém está ali para reverenciar quem está no palco. Quem está no palco é igual a quem está na platéia.
CC: A cisão entre centro e periferia na música, que você tem descrito, é irremediável? Como se poderiam reconciliar essas duas pontas que não se compreendem uma à outra?
HV: Uso as palavras centro e periferia como provocação. São muito carregadas, muitos grupos diferentes acham que são donos delas. Gosto de bagunçar o coreto dessas fronteiras: tudo que acontece de interessante passa sempre de um lado para o outro. Se não fosse a indústria de informática do centro do império norte-americano, nenhuma dessas novas músicas periféricas existiria. O mundo é felizmente mais complexo do que um jogo com dois lados. Há muitos lados. Sempre gostei de mediação.


Fonte: http://www.cultura.gov.br/foruns_de_cultura/cultura_digital/na_midia/index.php?p=14097&more=1&c=1&pb=1